Abuso sexual não tem graça

Como se não bastasse toda esta situação, as mulheres trabalhadoras ainda sofrem violência nos transportes públicos. Os casos de assédio, em especial no metrô, aumentam a cada dia e vão desde fotos não permitidas até estupro. Os ataques se tornam mais audaciosos e violentos, pois os agressores se aproveitam do “sufoco”, da superlotação e da impunidade. Além disso, a humilhação e o constrangimento sofridos pelas mulheres ao denunciar essas agressões faz com que, na maioria das vezes, elas sofram caladas.

A televisão trata a violência contra as mulheres como piada e banaliza as agressões. É muito comum as emissoras apresentarem comerciais e quadros humorísticos expondo as mulheres como mercadoria, objeto sexual, empregadas domésticas ou ainda como fúteis, incentivando o machismo.

Um triste exemplo é o programa Zorra Total, da TV Globo, no qual as personagens Valéria e Janete, conhecidas pelo jargão “eu acho que ele está me bolinando”, afirmam que a mulheres devem “aproveitar” esse tipo de assédio sexual, ignorando a realidade de milhares que sofrem cotidianamente com essa humilhação e violência.
O Sindicato dos Metroviários de São Paulo, apoiado pelo Movimento Mulheres em Luta da CSP-Conlutas, organizou uma campanha contra a violência às mulheres no metrô e encaminhou uma carta à TV Globo exigindo que não mais fizesse piada com uma triste realidade das mulheres trabalhadoras.