A situação interna tende a se polarizar

Republicano enfrentará resistência interna e externamenteEm primeiro lugar, na situação interna dos EUA. Se expressou nessas eleições uma polarização muito forte, que teve reflexos distorcidos nos votos. Na base, um grau de agressividade muito grande indicava a insatisfação social que está se acumulando.

Quase uma metade do país – justamente os setores mais dinâmicos da sociedade que vivem nas grandes concentrações industriais – votou contra o republicano, que venceu nas regiões mais atrasadas politicamente. O ódio presente nas mobilizações anti-Bush vai muito além do voto. Ele não é o “presidente de todos os norte-americanos”, como Kerry, derrotado, se apressou em dizer, vendo as nuvens de ameaça no ar. Terá de governar tendo contra si boa parte da juventude e do movimento operário, em um grau de radicalização não visto há muitos anos nos EUA.

Mais ainda, terá de atacar esses setores, pela crise econômica e para se justificar perante seus eleitores. Uma semana depois da eleição, o movimento social direitista que conseguiu mobilizar milhões de votantes para reeleger Bush passou à ofensiva para promover a privatização da Previdência Social, proibir o aborto e desmantelar programas sociais federais mediante reduções massivas de impostos.

James Dobson, dirigente da organização Focus on the Family (Enfoque na Família), de 4 milhões de membros, disse que já é possível mudar a composição da Suprema Corte para obter a proibição do aborto nos próximos quatro anos.

George W. Bush terá de avançar nesse sentido e, certamente, terá que enfrentar os setores radicalizados que o rejeitam violentamente. As consequências desta dinâmica, ao nosso ver, não tem nada a ver com a “terra arrasada” descritas pela imprensa e pelos setores de esquerda. A polarização social e política já existente só tende a aumentar.

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