A saúde pública de Campinas na UTI

O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, um dos mais importantes Centros de Referência do Estado de São Paulo, o Hospital Municipal “Dr. Mário Gatti” e a rede de Centros de Saúde da cidade são os únicos locais de atendimento à população mais carente de Campinas (SP). No entanto, estes sofrem profundos ataques do governo estadual e da Prefeitura o que pode, a curto prazo, comprometer o seu funcionamento. Tal situação se agrava com as terceirizações e a ausência de concursos públicos.

Preparando terreno para a privatização
Na esteira da terceirização acentuada em toda a universidade, os trabalhadores do Hospital das Clínicas estão enfrentando, desde setembro de 2005, a truculência do governo de Alckmin (e agora de Lembo, do PFL) e da reitoria da Unicamp no que diz respeito ao aumento da carga horária de trabalho, que passou de 30 para 40 horas semanais.

A partir de reivindicação dos trabalhadores, e considerando as especificidades das atividades na área de saúde, a jornada reduzida foi instituída há quase 20 anos. Diante da escassez de pessoal, a reitoria e superintendência, em vez de promoverem contratações por concurso público, atacam a conquista dos funcionários.

A não contratação, com o conseqüente aumento de carga horária, é uma exigência da reitoria e do governo estadual, que tem o objetivo de desvincular o hospital da universidade, entregando-o à Secretaria de Saúde do Estado. Esta “separação” facilitará a mudança do complexo hospitalar em uma fundação ou autarquia, possibilitando, assim, parcerias com instituições privadas. Isto seria a instituição da “porta dupla”, levando à diminuição de leitos, já insuficientes para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Se eles conseguirem esta “proeza”, o caminho para a privatização estará dado. Medidas como estas também fazem parte do “receituário” do governo Lula para os Hospitais Universitários Federais, e significam a destruição da saúde pública.

A Unicamp já mantém uma fundação (FUNCAMP), criada com o intuito de contratar pessoal sem concurso público, com salários inferiores aos concursados, exceto para os apadrinhados. Como se não bastasse, estabeleceu a terceirização dos serviços operacionais, estendendo-a, paulatinamente, para outras áreas. Esta prática abriu as portas para as empresas particulares entrarem na Unicamp, contratando trabalhadores (as) com salários de fome, sem qualquer direito e sem treinamento adequado. Isso, além de consumir milhões de reais de dinheiro público, precariza os serviços, visto que tais empresas só se preocupam com o lucro que irão ter. No HC, os Serviços de Limpeza e Lavanderia já foram totalmente terceirizados e muitos outros estão em processo.

Corte de verbas e sucateamento no Hospital Mário Gatti
O prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), com a preciosa ajuda do PCdoB, cortou, só neste ano, R$ 32 milhões da saúde. Só o corte com compra de remédios foi de R$ 12 milhões. Por isso, a população não encontra remédios nos Centros de Saúde, e fica 12 horas, em média, na fila do pronto-socorro do hospital Mário Gatti. Enfrenta ainda uma espera de até 6 meses para conseguir uma consulta ou procedimento especializados.

A falta de funcionários nos Centros de Saúde e no Hospital Municipal é muito grande. Há 10 anos, havia 80 funcionários de limpeza para cada 12 mil m2 de área construída. Hoje, são 35 funcionários para dar conta de 20 mil m2 de área. Como conseqüência, doenças como infarto e hérnia de disco, entre outras, assim como repressão aos funcionários, são constantes.

Os arquitetos da destruição da saúde pública em Campinas são o prefeito Dr. Hélio e o seu líder de governo na Câmara, o vereador Sérgio Benassi (PCdoB). Eles priorizam as terceirizações e corte de verbas para sucatear. Assim, Alckmin e Dr. Hélio seguem à risca a política do governo Lula e do FMI: sucatear para privatizar. Por isso dizemos que eles são todos iguais.