A “saída“ do FMI

O governo Lula anunciou que não pretende renovar o acordo com o FMI. Os que vivem buscando “aspectos positivos” neste governo irão dizer agora que esta é uma medida progressiva. Foi o caso do senador Geraldo Mesquita, o mais novo parlamentar do P-SOL, que deve acreditar também no coelhinho da Páscoa.

No entanto, o governo não anunciou nenhuma ruptura com a política do FMI. Ao contrário, Palocci informou, com toda a clareza, que vai manter o superávit fiscal atual (negociado com o fundo) de 4,25%, com todas as conseqüências que isso significa de cortes nos gastos da saúde, educação e reforma agrária. O governo segue também com a pauta de reformas neoliberais determinadas pelo FMI, como a Sindical, Trabalhista e Universitária. O FMI, em seu último relatório sobre o Brasil, aplaudiu a política econômica de Lula.

O que o governo anunciou, na realidade, é que pode deixar de lado o acordo formal com o fundo, mas mesmo assim seguirá tendo todo o apoio do imperialismo e do próprio FMI.

As conseqüências da continuidade dessa política são muito graves. Significa que o governo vai seguir mantendo as mais altas taxas de juros de todo o mundo, para atrair os capitais e rolar as dívidas interna e externa (as “dívidas gêmeas”, versão brasileira).

Mesmo com esse monstruoso superávit fiscal, a dívida interna não parou de crescer, atingindo R$ 826 bilhões. Só no ano de 2004, o governo pagou cerca de R$ 150 bilhões da dívida aos banqueiros, e isso deve aumentar em 2005 com a elevação dos juros. Em relação à dívida externa, o país deve pagar, neste ano, entre juros e amortizações, cerca de US$ 51 bilhões.

Essas dívidas aumentam a dependência do país em relação ao fluxo internacional de capitais especulativos. Na semana passada, ocorreu uma pequena fuga de capitais só pelo anúncio da elevação da taxa de juros nos EUA, determinando uma queda importante da Bolsa no Brasil. Quando a crise internacional vier, o país estará mais vulnerável, mais exposto, tornando mais graves suas conseqüências. O risco de uma crise cambial, com fuga maciça de capitais, estará presente com muito mais força.

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