A resistência dos povos contra a rapina imperialista

O plano dos EUA de dominar as regiões estratégicas para apropriar-se de seus recursos naturais está batendo de frente com a resistência dos povos. A invasão do Iraque deixou claro aos olhos do mundo a voracidade imperialista pela apropriação do petróleo. O Iraque é o terceiro país que mais possui reservas petrolíferas no mundo. (ver quadro)

As tropas invasoras quase não tiveram resistência no início, mas logo começou a verdadeira guerra contra os EUA tornando cada vez mais difícil uma vitória política e militar do imperialismo. A resistência vem ocupando cidades inteiras, impedindo o acesso aos poços de petróleo.

A guerra dos EUA pelo controle do petróleo no Iraque foi como jogar gasolina na fogueira. O preço do petróleo não caiu. Pelo contrário, atingiu limites nunca vistos; a produção iraquiana, em relação ao ano 2000 caiu pela metade e quase todas as exportações de petróleo estão praticamente bloqueadas.

A resistência latino-americana

Na América Latina, a situação em relação aos hidrocarbonetos (derivados de gás e petróleo) não é muito diferente. Em toda a região ocorrem fortes enfrentamentos.

Os Estados Unidos são os que mais importam petróleo no mundo, a maior parte da América Latina, em particular da Venezuela. De conjunto, a América Latina fornece para o EUA 50% do petróleo que consome. O restante vem do Oriente Médio (20,84%) e da África (24%).

Isso mostra a importância que tem para os EUA a implantação da Alca, do NAFTA e os Tratados de Livre Comércio com países latino-americanos, já que o fornecimento dos hidrocarbonetos para o funcionamento da economia norte-americana depende basicamente das jazidas aqui existentes.

Os países que ainda não privatizaram totalmente suas petroleiras tampouco mantêm um controle total sobre seus hidrocarbonetos e, de uma forma ou outra, abriram as portas às multinacionais mediante associações de todo tipo. Não satisfeitas, as empresas estrangeiras pressionam cada vez mais para que se privatizem as maiores petroleiras da região, como a Pemex (Petróleos de México), Petroecuador (Petróleos do Equador) e a Ecopetrol (Empresa Colombiana de Petróleos).

A situação na Bolívia

Na Bolívia o povo se insurgiu contra o plano norte-americano de – por meio da petroleira espanhola Repsol-YPF – exportar o gás boliviano pelo Chile para o México primeiro e depois para os EUA.

Em fevereiro e outubro de 2003 os bolivianos foram às ruas para enfrentar as multinacionais e puseram para correr o governo de Sánchez de Lozada. A repressão foi violenta e quase uma centena de lutadores populares caíram sob as balas do exército. Mas os planos imperialistas sofreram um duro revés com a derrubada do governo.

A “Guerra do Gás” aprofundou a situação revolucionária e colocou na ordem do dia a questão do poder. Quem deve governar a Bolívia? Somente os trabalhadores e camponeses, por meio de suas organizações, poderão garantir a nacionalização dos hidrocarbonetos. Essa realidade hoje é discutida ampla e abertamente em cada rua, em cada casa, em cada esquina de La Paz e de todo país.

O governo Carlos Mesa – vice-presidente de Sanchez de Losada que assumiu depois de sua derrubada – está tentando manter a mesma política repudiada pelo povo boliviano. Recentemente, tentou uma farsa, convocando um referendo com perguntas distorcidas, para tentar manter a entrega do gás. Mas a população não engoliu, ocorrendo uma grande abstenção e inúmeros enfrentamentos populares. A Bolívia segue imersa na instabilidade.

Hoje, o saque cada vez maior das nossas riquezas para sustentar os ganhos das multinacionais é o único caminho possível para o imperialismo. Esse saque pode ter nomes diversos, como Alca, Nafta, eleições, Constituinte, referendos ou plebiscitos. Mas é sempre saque. Para isso o imperialismo conta também com a ação servil de governos, como o de Lula.

O problema da Venezuela

A Venezuela é o sexto maior detentor mundial de reservas de petróleo e ocupa a sétima posição entre os produtores mundiais de petróleo, além de ser um dos maiores exportadores de petróleo cru para os EUA (veja quadro).

O governo Chávez segue exportando petróleo para os EUA e pagando a dívida externa, mas mantém algumas posições independentes em relação aos EUA. Isso explica o assédio permanente que sofre por parte do imperialismo americano, que vem patrocinando todo tipo de golpes de Estado e greves burocráticas e patronais na estatal PDVSA (estatal venezuelana de petróleo).

O povo venezuelano resiste à investida imperialista. A oposição orquestrada pelos EUA buscou revogar o mandato de Chavez com o referendo, mas a tática golpista acabou derrotada neste fim de semana.

PRODUÇÃO E RESERVAS MUNDIAIS DE PETRÓLEO

Reservas

Arábia Saudita……..262,7
Irã……………….130,7
Iraque…………….115
Emirados Árabes……..97,8
Kuwait……………..96,5
Venezuela…………..78
Rússia……………..69,1
Líbia………………36
Nigéria…………….34,3
Estados Unidos………30,7

Produção

Arábia Saudita……..474,8
Rússia…………….421,4
Estados Unidos……..341,1
Irã……………….190,1
México…………….188,8
China……………..169,3
Venezuela………….153,4
Noruega……………153
Canadá…………….141,9
Emirados Árabes…….117,8

Fonte: Reporte anual 2004 de BP-Amoco.
As reservas estão consideradas em bilhões de barris e a produção está medida em milhões de toneladas anuais.

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