A primeira grande paralisação operária na Venezuela

No último dia 22, os trabalhadores venezuelanos deram uma demonstração de sua disposição de luta. A Unión Nacional de Trabajadores (UNT), em especial sua corrente interna CCURA, convocaram seus 120 sindicatos filiados no estado de Aragua para um dia de paralisação.

A paralisação foi convocada em solidariedade e apoio à luta dos trabalhadores da empresa Sanitários Maracay, que está sob o controle dos trabalhadores desde que os patrões da empresa declararam sua falência.

Num excelente exemplo de controle operário da produção, a empresa voltou a produzir, a pagar os salários atrasados e, mais do que isso, os trabalhadores tiveram um aumento salarial, já que os lucros deixaram de estar nas mãos dos patrões “sanguessugas” e passaram a ser divididos entre os que produzem.

O socialismo do século XXI de Hugo Chávez é incompatível com o controle operário da produção
Desde que os patrões fugiram e os trabalhadores começaram a controlar a fábrica, a UNT e o sindicato da empresa lutam para que o governo chavista estatize a empresa, mas isto é um “mau exemplo”, e os distintos órgãos do governo se fazem de desentendidos.

No início do mês de maio, já cansados de diversas tentativas de diálogo com o governo de Hugo Chávez, os trabalhadores organizaram uma caravana com 10 ônibus à capital do país, Caracas, e pretendiam fazer uma manifestação em frente ao Palácio de Miraflores. Ao passar pelo primeiro pedágio foram violentamente reprimidos pela Guarda Nacional, controlada pelo governo central.

A paralisação tinha em seu programa: a estatização da Sanitários Maracay; fora Didalco Bolívar, governador do Estado; e o fim das concessão dos canais de televisão golpistas, sem indenização e sob controle dos trabalhadores.

O Estado de Aragua está localizado no centro do país e a paralisação cortou, durante um dia, a circulação de mercadorias na região. Esta não é a única paralisação, entretanto, que se enfrenta com o governo chavista. No ano passado, os trabalhadores de Sidor, uma importante siderúrgica – aos moldes da Cosipa ou da Usiminas no Brasil – tomaram a cidade Porto Ordaz. Este ano, mais uma, vez os trabalhadores de Sidor voltaram a tomar a cidade.

As mobilizações ocorrem por conta dos baixos salários pagos aos trabalhadores na chamada “revolução bonita”. O governo venezuelano não pode esconder que é um mau patrão. Os petroleiros, os funcionários públicos, os trabalhadores do Ministério do Trabalho têm os seus contratos coletivos vencidos há um, quatro e 16 anos respectivamente. Frente a tão mau patrão não se é de estranhar a radicalização do trabalhadores da Venezuela