A pobreza está acabando no Brasil?

    “O avanço da mobilidade social, fundada na geração de empregos formais e nas políticas públicas de proteção social torna a pobreza diminuta com cadente desigualdade na repartição da renda nacional jamais vista na História nacional”, afirma a cartilha do PT. O governo ainda diz que retirou 22 milhões de brasileiros da extrema pobreza e agora só restam 2 milhões.
    Essa afirmação, porém, se apóia em uma manobra estatística na qual a categoria “pobreza extrema” inclui as famílias que recebem até R$ 70 por pessoa ao mês, e são “pobres” as que recebem de R$ 70 a R$ 140 por mês. Na verdade, esse é o critério do Banco Mundial: quem tem renda menor que US$ 1,25 por dia é miserável. Quem ganha até US$ 2,50 dólares por dia é pobre. Por isso, para o Banco Mundial, “o Bolsa Família é bastante eficiente e tem um custo relativamente baixo (0,5% do PIB nacional)”.
    Esta linha demarcatória da pobreza é rebaixada de propósito para inflar as conquistas do governo petista. A própria burguesia incentiva esses dados porque fortalece sua dominação, reforçando a visão que o sistema capitalista pode distribuir renda de forma igualitária. O problema é que a pobreza não acabou e nem acabará sob o sistema capitalista.
    Vamos fazer as contas na vida de uma família de quatro pessoas que está para sair da “pobreza”, segundo o governo. Multiplicando R$140 por 4, essa família teria uma renda mensal de R$ 560, abaixo do salário mínimo (R$ 678).
    Em Fortaleza, a passagem de ônibus custa R$ 2. Se um trabalhador usar dois ônibus (ir e voltar do trabalho), usando um rendimento de R$ 70 reais por mês, sequer vai cobrir os gastos com a passagem, pois gastaria R$ 96 mensais. Mesmo assim, nas contas do governo, o Brasil teria 6,3% de extrema pobreza e 15,7% de pobreza, portanto, em “vias de acabar”.
    Já o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) utiliza uma classificação diferente para definir a pobreza. Para o departamento, o trabalhador que recebe até um salário mínimo é considerado miserável. Se recebe entre um a dois salários mínimos é considerado pobre. Se utilizarmos esse critério o país teria, em 2010, 15,7% da população na pobreza extrema, e 36,8% na pobreza. Os índices simplesmente dobrariam.
    Em números absolutos, segundo o governo, teríamos, pelo Censo do IBGE de 2010, 30 milhões de pobres. Já pelo critério do DIEESE seriam 70 milhões, quase a metade concentrados na região Nordeste.
    Mas a pobreza não é um simples dado estatístico, sobre “o quanto” o individuo recebe por dia. Ela deve ser entendida com um critério mais amplo, como “privação de capacidades básicas”, ou seja, considerando atraso educacional, acesso aos serviços de saúde, situação da moradia, acesso a serviços básicos, à alimentação e à seguridade social.
    Por este critério tivemos, em 2011, 62 milhões de pessoas que não tem acesso aos serviços básicos; 113 milhões têm carências sociais; e 58 milhões têm carências de rendimentos. A pobreza continua disseminada em todo o país, apesar da propaganda governamental.
     

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