A maior greve da história do Judiciário paulista

Trabalhadores do Judiciário paulista fazem ato contra a manifestação patronal da OAB
Alex Leme

Apesar da direção do movimento e da repressão, servidores pararam 91 dias e arrancaram 14%Uma mistura de comoção e indignação marcou a assembléia que suspendeu a greve dos servidores do Judiciário paulista, no dia 27. Além do arrocho salarial, os trabalhadores do Judiciário convivem com a falta de equipamentos e pressões para cumprir os prazos, apesar da precariedade das condições de trabalho.

Para repor as perdas dos últimos anos, os servidores reivindicavam 39,19% de reajuste. Em junho, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Elias Tâmbara, ofereceu 26,39%, o que foi aceito pelo movimento. Porém, o juiz recuou para 10%, o que fez os servidores deflagrarem o movimento grevista.

Movimento pela base enfrenta repressão

A greve foi construída pela base da categoria, passando por cima das associações. Porém, a truculência e a repressão foram proporcionais à força do movimento. O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal, pregou a imediata demissão dos grevistas. “Demite um por um, manda todo mundo embora e convoca um novo concurso”, vociferou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Ele também defendeu uma intervenção federal para pôr fim à greve.

Despindo-se da máscara democrática, a OAB chegou a realizar um ato público, no mesmo dia 27, contra a greve. Para isso, teve o apoio do recém-eleito presidente da Fiesp, Paulo Skaf, da Associação Comercial de São Paulo e da Federação Brasileira dos Bancos, a Febraban. A OAB conseguiu reunir o conjunto do patronato para atacar a greve. Os grevistas, por sua vez, fizeram um ato paralelo para denunciar a manifestação da OAB.

Na última semana, Tâmbara fez a proposta final de 14% de reajuste, ameaçou descontar os dias parados e determinou a abertura de processo administrativo, primeira medida para demitir os grevistas. Diante do extremo autoritarismo, o movimento sofreu um tremendo baque.

A assembléia que suspendeu a greve também aprovou a manutenção da Comissão de Greve, que negociará com o Tribunal a reposição dos dias parados. Os servidores defendem que os trabalhos sejam repostos através de mutirão, porém o Tribunal insiste no desconto, o que mostra claramente que, entre punir os grevistas e agir para que os processos parados sejam retomados, o Tribunal prefere o primeiro.

Os servidores marcaram uma nova assembléia para o dia 8 de outubro e um indicativo de retomada da greve, caso o Tribunal não recue com os processos administrativos. Os servidores estão impulsionando a criação de um sindicato de luta, como alternativa às associações pelegas.

Encontro nacional

Ocorrerá, nos dias 9 e 11 de outubro, o 4º Encontro Nacional dos Trabalhadores da Justiça, em Curitiba. Serão discutidos temas como as reformas Sindical, Trabalhista e Universitária.

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