A Internacional é cantada em várias línguas na abertura do Elac

Por volta das 11h30 deste dia 7 de julho, teve início o Enconro Latino-Americano e Caribenho de Trabalhadores, o Elac. A abertura do evento foi de grande importância por evidenciar a diversidade internacional presente. Mais do que isso, mostrou que os que vieram ao encontro são os mesmos que estão à frente das principais lutas da América Latina.

Compuseram a mesa de abertura representantes das entidades convocantes do encontro: Didier Dominique, do Batay Ouvryie, do Haiti; Julio, da Mesa Cordenadora Sindical, do Paraguai; René Condore, da Central Obrera Boliviana (COB); Mario, da Tendência Classista Combativa (TCC), do Uruguai; Dirceu Travesso, da Conlutas; e Orlando Chirino, da Corrente Classista Unitária Revolucionária Autônoma (C-CURA), da Venezuela.

Foi de forma emocionada que os cerca de 150 representantes das delegações internacionais e os 350 representantes brasileiros cantaram juntos o hino da Internacional, não em uma, mas em muitas línguas simultaneamente.

Em seguida, Antônio Donizete Ferreira, o Toninho, que coordenava a mesa, anunciou todas as delegações dos 21 países presentes ao encontro, citando suas principais mobilizações recentes: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Haiti, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Brasil, EUA, Suécia, Rússia, Portugal, Irlanda, África do Sul e Espanha. “Este encontro já é vitorioso, porque aqui está reunido o melhor da vanguarda latino-americana”, afirmou Toninho.

A primeira entidade a fazer sua saudação foi a Conlutas. Dirceu Travesso afirmou que “este encontro nos dá a noção da responsabilidade que temos. Aqui estão aqueles que têm absoluta consciência de que não há possibilidade de transformação sem esta unidade aqui. Aqui estão aqueles que acreditam que esta unidade pra ser vitoriosa, que pode construir a ponte da unidade com classe operária dos Estados Unidos, da Europa e de todo o mundo. Hoje, muitos olhos estão olhando pra cá”.

Falou sobre a importância do Encontro para a Conlutas: “vocês, companheiros, não tenham dúvida, a presença de vocês é um dos elementos mais importantes para o fortalecimento da Conlutas no próximo período. O fortalecimento de cada organização de cada país fortalece o processo aqui”. Ele falou, ainda, sobre os objetivos do encontro, de “um projeto que unifique, coordene e potencialize a luta”.

“Quando terminamos o congresso ontem, estávamos muito felizes, mas esta felicidade só se completa amanhã ao final deste encontro. Esta é a nossa responsabilidade. Nosso projeto de libertação da classe trabalhadora do jugo do imperialismo só tem uma possibilidade de avançar, unificando a classe trabalhadora internacionalmente. Somos modestos, mas somos audaciosos”, disse.

Didier Dominique, do Haiti, também falou sobre os objetivos: “Queremos que saia deste encontro um pólo de resistência, de ação, não só de reflexão sobre os problemas dos países, mas de luta comum. Há possibilidade de situações revolucionárias e temos uma responsabilidade histórica frente a isto. As entidades aqui fizeram já um passo fundamental, o acordo sobre a independência de classe, de reconhecer as traições. Este passo de independência frente a seus governos é algo que já nos une. Se temos em mente a projeção da luta final, este encontro deve ser um germe que gere sua própria superação permanente, cada passo deve superar a si mesmo para chegar a um futuro”.

Dentro desta importante tarefa, Mario Michelena, do Uruguai, afirmou que é preciso “trabalhar sobre o que nos une, só falar em diferenças quando for inevitável, postergar o que nos diferencia”. Irma Leite, também do Uruguai, defendeu que “o capitalismo não se pode humanizar, é preciso destruí-lo, esta é a função da classe trabalhadora. Os traidores usaram as direções da classe como trampolim para seus próprios interesses. Os sindicatos devem ser escolas de luta, não pra controlar trabalhadores, não para sustentar o parlamento”. E, em contraposição aos que querem humanizar o capitalismo, apontou: “devemos sonhar com outra sociedade”.

Orlando Chirino afirmou que “somos poucos no que se refere às organizações classistas. Mas, companheiros, somos milhões no mundo e neste continente, que nos levantamos todos os dias para lutar, reivindicar e denunciar o capitalismo”. “É muito importante que quando finalizemos isso amanhã, que resolvamos o problema da saída para tudo isso. Com um programinha que seja nitidamente anticapitalista, uma plataforma que reivindique as lutas fundamentais dos trabalhadores do mundo. Por mais que sejamos poucos, a política é muita”, finalizou.

Jorge Mendes, metroviário da Argentina, desejou que “ao finalizar este encontro, tiremos muitas conclusões, que permitam levar a cada país toda a experiência para que tudo que foi discutido possa, de alguma forma, ser levado à ação direta dos trabalhadores”.

Clarence Thomas, representante dos portuários dos Estados Unidos, falou sobre a mais recente luta que deste setor. “No dia 1º de maio de 2008, os dois mil estivadores se recusaram a trabalhar, em protesto contra a guerra do Iraque, com a palavra-de-ordem ‘Sem paz não há trabalho´”, contou. Disse ainda: “aqui estou como americano sindicalista que se levanta contra o imperialismo, contra a globalização, contra o racismo norte-americano. A base em todo o mundo está se levantando pelos seus direitos contra o imperialismo. A classe trabalhadora tem de falar em seu próprio nome, com seu próprio programa. Nós temos compromisso de levar este programa adiante”. Por último, Thomas chamou a palavra-de-ordem: “Quem ataca um de nós ataca todos nós!”.

Ivan Baguirin, representando a Rússia, afirmou que “este encontro será ponto de referência para os operários. Isso é só o começo, ainda temos muitas tarefas. Nosso dever é estar à altura destas tarefas”. Rosa Lemus, da Colômbia, emocionou os presentes, dizendo que o “encontro é o primeiro passo, que tem de ser convertido em alternativa para a classe trabalhadora do continente. Encontros internacionais há muitos. Mas encontros internacionalistas há poucos”.