A hora da Conlutas


Nos dias 5, 6 e 7 de maio será realizado em Sumaré (SP) o Congresso Nacional dos Trabalhadores (Conat), reunindo delegados de sindicatos, movimentos populares e organizações da juventude de todo o País.

O Congresso será o ponto culminante de dois processos. O primeiro deles é sobre debates das propostas que serão votadas no Conat. Além das mais de 300 assembléias que elegem os delegados, estão ocorrendo várias reuniões, seminários, encontros e congressos nas entidades, categorias, regiões ou estados. Isso é uma diferença fundamental com os congressos burocráticos da CUT, por essa rica discussão nas bases das categorias.

Apoiado nas lutas
A construção dessa alternativa, todavia, não se dá apenas na discussão de propostas. Apóia-se também na mobilização cotidiana dos trabalhadores e jovens que atenderam ao chamado da Conlutas para a luta contra a reforma sindical e trabalhista na marcha de junho de 2004, assim como na marcha de agosto do ano passado contra o governo. Ou ainda nas mobilizações das categorias, como nas greves bancárias, e na Campanha pela Anulação da Reforma da Previdência que a Conlutas trava com várias entidades de servidores federais.

Um passo fundamental na recomposição
Tudo isso faz do Conat um marco histórico. A traição das governistas CUT e UNE produziram a fragmentação e confusão entre os trabalhadores e os movimentos sociais do País. Contudo, as mobilizações impulsionadas com a ajuda da Conlutas expressam que aos poucos estão avançando a experiência e a ruptura dos trabalhadores com o atual governo.

A consolidação de uma alternativa e o fortalecimento da sua estrutura, transformando-a em uma entidade neste Congresso, serão passos fundamentais.
É preciso avançar em relação às experiências anteriores. A Conlutas pretende unir na luta não apenas os trabalhadores organizados em sindicatos, mas toda a classe trabalhadora: os desempregados; os que estão no mercado informal; os que se organizam nos movimentos de luta por moradia; pela reforma agrária; nos movimentos contra a opressão e a juventude.

Isso não significa afrouxar o caráter classista desta organização, mas sim fortalecê-lo. Tampouco significa abrir mão de uma entidade sindical de caráter nacional. A Conlutas será uma “central sindical” para os sindicatos que estarão em seu interior. Mas, ao mesmo tempo, será muito mais do que isto, buscando uma unidade mais ampla de todos os setores explorados para fortalecer a luta dos trabalhadores como um todo.

Precisamos também reforçar os mecanismos de democracia e controle da base sobre a organização que estamos construindo. O funcionamento da direção (seja nacional, estadual ou regional) dessa organização não será nos moldes tradicionais, com um grupo de companheiros eleitos em Congresso com mandato definido. As instâncias de direção dessa organização serão compostas por representantes de suas entidades e movimentos. Todas poderão mandar seus representantes para as reuniões de coordenação.

A recomposição seguirá com força
A realização do Conat é um marco histórico, mas sua realização não é um fim em si mesmo. Estamos nos momentos iniciais da recomposição que vai seguir, com o avanço da ruptura de sindicatos com a CUT e outras centrais pelegas, e com a expulsão dos pelegos da direção dos sindicatos por oposições sindicais que busquem resgatar as entidades para as lutas.

Temos muito trabalho pela frente. O Conat tem que ser visto como um momento de partida, e não de chegada, na construção de uma alternativa à altura das lutas dos trabalhadores.

Um diálogo necessário
Queremos dialogar com os setores da esquerda, que atuam nos sindicatos e movimentos sociais, mas ainda não estão integrados à Conlutas.

Há dois tipos de posições manifestadas por esses setores. Alguns companheiros já compreendem a necessidade de romper com a CUT, mas ainda relutam a somar-se neste momento à construção da Conlutas. Os companheiros do PCB, por exemplo, chegam a falar na construção de uma intersindical.

Respeitamos, evidentemente, os tempos e os ritmos dos companheiros. Mas é preciso estreitar laços na ação e aprofundar as discussões entre nós, para que juntos construamos essa alternativa. Seria um grave erro apostar na construção de uma outra alternativa, tenha ela um caráter intersindical ou não, pois implicaria uma divisão, com inúmeros resultados negativos entre os trabalhadores.

A Assembléia Popular Nacional de Esquerda
Achamos necessário dialogar também com os companheiros da Assembléia Popular Nacional de Esquerda (ANPE). Em primeiro lugar, a opção dos companheiros é prisioneira da decisão de um setor que a compõe: não romper com a CUT, e seguir insistindo em construir uma alternativa por dentro da central, ou, na melhor das hipóteses, dentro e fora da CUT.

Na nossa opinião, isso inviabiliza a construção de uma alternativa contra a CUT. Esta somente poderá ser construída na luta contra o governo, os patrões e a CUT. Não ter a clareza do nefasto papel da entidade governista traz imensos equívocos. Por exemplo, uma das justificativas dos companheiros para não participar das manifestações convocadas pela Conlutas foi o fato de que eram atos também contra a CUT.

Em segundo lugar, os companheiros buscam construir uma alternativa por fora dos sindicatos e organizações sociais existentes. A proposta de organizar um fórum aberto à participação individual, sem delegação de base, por exemplo, dificulta muito a participação plena das organizações de massas existentes.
Por fim, os companheiros dizem que a ANPE não seria um contraponto à Conlutas mas, na prática, os principais organizadores da Assembléia se negaram a participar de nossas atividades.

Com um espírito de diálogo franco e leal, reforçamos o chamado aos companheiros a que avancemos na discussão.
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