A falência do projeto reformista do PT

Durante mais de duas décadas, milhões esperaram eleger Lula presidente para mudar o país. Em todos esses anos, o PT foi o partido majoritário da esquerda brasileira e educou toda uma geração de trabalhadores e jovens com a estratégia de acabar com o desemprego, distribuir a renda, fazer a reforma agrária e acabar com a corrupção, preservando a ordem capitalista, através da eleição de Lula.

Hoje, esse projeto faliu. Não é só o governo Lula que está em cacos. É o projeto reformista eleitoral do PT que desmoronou. Os ativistas de todo o país devem discutir um novo projeto, uma nova alternativa, agora revolucionária.

O reformismo sem reformas
O PT nasceu como um instrumento de luta da classe trabalhadora contra a ditadura militar na década de 80. Mas, na medida em que passou a ocupar cargos e mandatos no aparato do Estado, o partido se transformou numa máquina eleitoral. Sindicalistas e ativistas dos movimentos sociais converteram-se em burocratas, parlamentares, prefeitos ou governadores. Para seguir nesses cargos, manter essas verbas, a estratégia política passou a ser ganhar a todo custo as próximas eleições.

Isso levou ao abandono de qualquer compromisso com a luta da classe trabalhadora, a deixar de lado as bandeiras de transformações na estrutura socioeconômica do país, como a ruptura com o FMI. Adotaram um programa que falava em defesa da ética na política, propor um orçamento participativo etc. Esse programa, diga-se de passagem, é o mesmo defendido hoje pela esquerda do PT e pelo PSOL.

Ao chegar ao poder, no entanto, o PT abandona mesmo a perspectiva da reforma do Estado burguês. Assumiu a corrupção como método, aprofundou o plano econômico neoliberal e submeteu-se a todo o receituário do FMI.

A estratégia do PT levou a um reformismo sem reformas, o reformismo dos tempos da globalização, com contra-reformas neoliberais, que visam destruir conquistas históricas da classe trabalhadora para favorecer o capital, como demonstram a reforma da Previdência e as tentativas de implementar a reforma Sindical e Trabalhista.
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