A experiência da III Internacional

Depois de Outubro, uma das principais tarefas assumidas pela direção de Lenin e Trotsky foi a construção de uma nova organização revolucionária internacional com peso de massas: a III Internacional.

Entusiasmados com a vitória da Revolução Russa e com as perspectivas que ela abria, milhões de trabalhadores e lutadores de todo o mundo acudiram ao chamado. Muitos deles abandonavam os podres partidos social-democratas; outros eram jovens que recém iniciavam sua luta.

Assim nasceram partidos comunistas em muitos países. Era preciso educar e formar essa imensa vanguarda revolucionária para que pudesse intervir e dar respostas aos processos nacionais. Por um lado, os documentos e resoluções votados em seus quatro primeiros congressos (1919-1922) são considerados como uma “verdadeira escola de estratégia revolucionária”. Por outro, estabeleceram-se as condições e critérios de funcionamento para que esses partidos fossem aceitos como seções da Internacional.
Foi a maior tentativa da história de construir uma organização revolucionária internacional com peso de massas. Lamentavelmente, o tempo foi escasso e as revoluções se produziam mais rapidamente que o tempo necessário para forjar plenamente essas ferramentas revolucionárias nacionais. É uma experiência da qual devemos extrair todas as conclusões e ensinamentos.

Posteriormente, a III Internacional também sofreu a burocratização stalinista até se transformar em pouco mais que um escritório da política exterior da burocracia soviética. Finalmente, foi dissolvida em 1943, por pedido expresso a do político imperialista britânico Winston Churchill a Stalin.

A necessidade de reconstruir a 4° Internacional
Desde 1933, frente à desastrosa política stalinista na Alemanha que permitiu o triunfo do nazismo, Trotsky considerou que “a IIIª havia morrido como organização revolucionária” e iniciou a construção de uma nova organização. Essa iniciativa se concretizou em 1938, com a fundação da IV Internacional.

A IVª se construiu como uma continuidade da IIIª na defesa do programa marxista-leninista, da tradição de Outubro e da concepção de partidos revolucionários frente à destruição que realizava o stalinismo. Também agregou em seu programa a necessidade de uma revolução política dentro da URSS para derrubar a burocracia e que a classe operária recuperasse diretamente o poder.

No entanto, diferentemente da IIIª, a IV Internacional não nasceu com peso de massas. As difíceis condições existentes limitaram a IVª a reagrupar alguns milhares de militantes em todo o mundo para essa tarefa inicialmente defensiva. Ao mesmo tempo, tratava-se também de educar os quadros que dirigiriam a próxima onda revolucionária, inevitável após a nova guerra mundial que se aproximava.
A IV Internacional não pôde cumprir este segundo objetivo. A maioria da direção que ficou após o assassinato de Trotsky começou a abandonar os ensinamentos de Lenin e Trotsky e a capitular ao stalinismo, que recebia novos ares depois da derrota do nazismo e do surgimento de novos estados operários no mundo. As respostas equivocadas que essa direção deu a esses processos políticos revolucionários levaram à sua crise e à sua divisão em várias correntes, em 1953. Desde então, está colocada a tarefa essencial de reconstruí-la, como um embrião do partido revolucionário mundial.

Nessas décadas, através de suas distintas correntes, o trostkismo cresceu muito. Atualmente, dezenas de milhares de militantes, em todo o mundo, se reivindicam ou provêm dele, atuando nos processos de seus países. Ao mesmo tempo, propostas do trostkismo, como a realização de um encontro sindical latino-americano, formulada por Trotsky, em 1938, no México, começam a ser retomadas e concretizadas por organizações do continente, como a COB, a Conlutas do Brasil, Batay Ouvriye do Haiti e a Tendência Classista e Combativa do Uruguai.

Nesse ponto, é necessário mencionar o impacto que a queda do aparato stalinista da URSS teve sobre a esquerda e sobre as forças trotskistas em particular. Para a LIT-QI, esse fato, ainda que tenha provocado uma grande confusão na consciência de milhões de trabalhadores e lutadores, liberou forças imensas para os processos da revolução mundial, porque foi destruído o principal obstáculo que havia “deste lado” para que os trabalhadores chegassem à vitória em suas lutas revolucionárias. Por isso, consideramos que as condições para reconstruir a IVª e avançar rumo a uma direção revolucionária internacional com peso de massas, são hoje muito melhores que antes da queda do aparato stalinista central.

Pelo contrário, uma parte importante das correntes trotskistas chegou à conclusão oposta: afastava-se a possibilidade da revolução. Assim, naquilo que chamamos “vendaval oportunista”, foram abandonando a tarefa de reconstruir a IVª e a defesa de seu programa revolucionário, seja de forma explícita ou através do conteúdo real de suas políticas.

Para a LIT-QI, as lutas revolucionárias que hoje percorrem o mundo voltam a pôr na ordem do dia a perspectiva e a necessidade da revolução socialista. Os processos vividos na América Latina (Equador, Argentina, Bolívia e Venezuela), o pântano em que está metido o imperialismo no Oriente Médio (encurralado por resistências cada vez mais fortes dos povos do Iraque, Afeganistão, Líbano, etc) são exemplos de que a luta de classes no mundo, longe de ter acabado (como previu, anos atrás, Francis Fukuyama), está cada vez mais presente.

Mas essas lutas heróicas, sem a perspectiva da revolução socialista nacional e mundial, estão condenadas ao fracasso ou a vitórias parciais que depois retrocederão. Por isso, os ensinamentos de Outubro mantêm toda sua vigência. Especialmente que a revolução socialista mundial precisa de uma organização revolucionária internacional e de partidos revolucionários nacionais para dirigí-la.

Ao recordar os 90 anos da Revolução de Outubro, queremos expressar aos trabalhadores e aos povos do mundo que a mais imprescindível de todas as tarefas é a reconstrução da IV Internacional e suas seções, os partidos revolucionários nacionais.

Com base nessa proposta central, a Liga Internacional dos Trabajadores – Quarta Internacional (LIT-QI) se compromete a colocar todas as suas forças a serviço dessa tarefa e conclama todos os revolucionários do mundo a aderirem a ela. Acreditamos que essa é a melhor homenagem que podemos prestar no aniversário de 90 anos da Revolução Russa.

Post author
Publication Date