A Democracia Corinthiana contra a Ditadura

Waldemir Soares

Nesse domingo, 31 de março, completaram-se 55 anos do golpe civil militar no Brasil. Parte triste de nossa história, a ditadura sequestrou, torturou e assassinou opositores ao regime. Vários movimentos sociais e partidos políticos se levantaram contra o regime. Alguns partiram para a luta armada nas guerrilhas urbanas e rurais.

O futebol, inspirado em Saldanha e na rejeição da sociedade aos militares, começa a protestar. Nasce a “Democracia Corinthiana” sob a liderança de Sócrates, camisa oito do Corinthians.  Junto a Wladimir, Zenon e Casagrande, o doutor da bola, organiza o maior movimento ideológico do futebol brasileiro.

O posicionamento contrário à ditadura da Democracia Corinthiana rompe as quatro linhas do campo e chega às arquibancadas. A Democracia, aliada à Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do alvinegro do parque, e fundada em 1969 para questionar outra ditadura, a de Wadih Helu então presidente do time, faz o movimento alcançar as massas periféricas das grandes cidades e abandonar seu caráter intelectual e burguês.

Desde 1979, a torcida do Corinthians levantava nos estádios a defesa da anistia. Exemplo marcante foi no jogo de 11 de fevereiro do mesmo ano contra o Santos Futebol Clube, no estádio do Morumbi. Naquele dia, mais de 100 mil pessoas presenciaram a faixa “Anistia ampla geral e irrestrita”.

Daí por diante, a ideia de Miguel Bataglia, primeiro presidente corintiano, de que “o Corinthians é o time do povo, e é o povo quem vai fazer o time“, vêm se fortalecendo com denúncias contra governos corruptos e antidemocráticos.  Foi assim nos protestos denunciando a máfia da merenda em São Paulo, e na campanha contra o “Futebol Moderno” que põe fim às torcidas organizadas.

O manifesto lançado pela Gaviões da Fiel durante as eleições contra o capitão da reserva Jair Bolsonaro deixou claro que “a ideologia não faz curva” e que os corintianos não gostam de “verde”. Esse posicionamento foi ratificado pelo time nas primeiras horas de domingo. A página oficial do clube nas redes sociais trouxe a camisa oito do Magrão: “Democracia Corinthiana” e a faixa histórica carregada pelo time na final do paulista em 1983 contra o São Paulo: “Ganhar ou Perder, mas sempre com DEMOCRACIA”, junto à estátua de Sócrates no setor norte do Itaquerão.

Não é só futebol, é Corinthians. Vai Corinthians!

Waldemir Soares, da CSP-Conlutas