A crise energética e os projetos imperialistas

A propriedade e exploração das grandes reservas de hidrocarbonetos do país foi a questão central que gerou o choque das massas bolivianas com os governos de Sánchez de Lozada e Carlos Mesa. Não é um tema menor: a Bolívia tem a maior reserva de gás da América Latina, depois da Venezuela. Nessa batalha se definem dois campos principais: por um lado, o imperialismo norte-americano busca garantir o controle e a exploração sem restrições das fontes energéticas. Por outro, os trabalhadores bolivianos reivindicam a propriedade estatal dos hidrocarbonetos, e que sua exploração e comercialização sejam feitas em benefício do país e do povo.

De olho no petróleo
Essa batalha ocorre em toda a América Latina. Para o imperialismo, é um tema estratégico e de curto prazo: todos os analistas consideram que, se for mantido o nível de consumo atual, os eua enfrentarão uma crise energética e de abastecimento interno de hidrocarbonetos em poucos anos. Por isso, impulsionam uma série de políticas colonizadoras na região, como a privatização das estatais petroleiras. Na Argentina, por exemplo, a espanhola Repsol comprou a YPF (estatal petrolífera argentina). Na Bolívia, concedeu-se a propriedade às transnacionais. Em outros países, as empresas continuaram sendo estatais, mas se impôs a privatização indireta, com concessões de áreas de exploração, processamento, transporte e comercialização. Desse modo, uma parte crescente do negócio passou para as mãos das multinacionais. É o caso da Venezuela, equador, México e Brasil.

Ao mesmo tempo, o imperialismo impulsiona os projetos PPP (Plano Puebla-Panamá) e Iirsa (Iniciativa para a Integração Regional Sul-Americana) que, combinados, buscam garantir a infra-estrutura para a extração, processamento e transporte desses recursos naturais, da terra do fogo, no sul da Argentina, até Puebla, no norte do México. Ali, “casualmente”, conectam-se com redes elétricas, gasodutos e oleodutos que terminam na Califórnia e no Texas.

A Alca (Área de Livre Comércio das Américas) vai no mesmo sentido, que “legaliza” todo o processo colonizador. Seu estatuto diz, por exemplo, que os recursos naturais são de “propriedade continental” (para bom entendedor…). Devido a dificuldades com a alca, os eua impulsionaram acordos bilaterais ou regionais: os TLCs (Tratados de Livre Comércio), algo assim como ir implementando a alca “por partes”. Não é à toa que a luta pelo domínio dos hidrocarbonetos seja o centro da realidade boliviana ou que a resistência popular contra os TLCs esteja presente com força no equador e em vários países centro-americanos, como Honduras e costa rica.

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