A crise dos alimentos se estende no mundo

Ganância das multinacionais provoca aumento de preços de produtos essenciais em países como México e VenezuelaO que está acontecendo com os alimentos no Brasil é um fenômeno mundial. Como a globalização capitalista penetra em todas as partes, estão acontecendo crises em muitos países. As características são distintas, mas a origem é a mesma: o controle das multinacionais sobre o campo para a produção voltada para a exportação e não para a alimentação dos povos. Em particular, a produção de produtos que substituem o petróleo (cana de açúcar, milho) é incentivada porque o petróleo está em alta e cada barril já custa cem dólares. As conseqüências são as mesmas: diminuição na produção de alimentos tradicionais e aumento dos preços da comida.

No México, a tortilla é um alimento tradicional produzido com milho, que é usado como o pão no Brasil. O aumento nos preços do milho – que está sendo desviado para a produção de etanol para o mercado norte-americano – levou a um aumento no preço das tortillas de 400% em 2007, causando grandes protestos populares.

Na Indonésia, estão ocorrendo agora mobilizações populares contra o aumento dos alimentos. Existem informes também de mobilizações nos Emirados Árabes. Na África, a crise já está levando a graves enfrentamentos no Senegal, em Serra Leoa, Burkina Fasso (antigo Alto Volta), Moçambique e Mauritânia.

Na Venezuela, o aumento de 27% dos preços dos alimentos, sem que o governo Chávez tenha feito nada de sério para enfrentar o problema, foi uma das causas da insatisfação popular que levou à sua derrota no referendo sobre a reforma constitucional.

No Haiti, uma rebelião contra os aumentos
No país mais pobre das Américas, alimentos como arroz, feijão e frutas aumentaram até 50% no último ano. Na quinta-feira, dia 3 de abril, manifestações populares contra o aumento dos preços levaram a enfrentamentos com barricadas nas ruas. A repressão ao povo foi feita pelas “forças de paz” da ONU, dirigidas por tropas brasileiras. Houve quatro mortes e vinte feridos. Segundo o Estado de S. Paulo, “testemunhas disseram que um dos mortos teria sido atingido por um tiro na cabeça, disparado por um soldado da força de paz.”

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