A ala dos cifrões

No Rio de Janeiro e em São Paulo, os enredos das escolas de samba foram, majoritariamente, feitos sob medida para levantar e sacudir os saldos bancários de seus patrocinadores. Veja, abaixo, alguns casos.

  • “Verba pública para a privada”: no Rio, as escolas receberam cerca de R$ 22 milhões em verbas públicas. Na comissão de frente desta bolada, está a Petrobras e suas parceiras, que entraram com R$ 9 milhões.
  • “Gasoduto”: a Grande Rio entrará na Sapucaí com um enredo sobre, acreditem ou não, a reserva de gás de Urucu, no interior do Amapá, bancado por R$ 600 mil levantados com empresas da região amazônica.
  • “Unidos da patronal e da pelegagem”: a Vila Isabel, que tem como tema “Trabalhadores do Brasil”, recebeu uma bolada (cujo valor é “segredo de Estado”) da Ticket, do HSBC e da Nestlé, para fazer seus desfiles. Detalhe importante: quem intermediou o contato entre a Escola e as empresas foi a CUT.
  • “Tá cheirando dinheiro”: em São Paulo, a Rosas de Ouro vai transformar o desfile num gigantesco anúncio publicitário. Durante o desfile, a escola lançará uma marca de perfume, a Rosaessência. Para incrementar o lançamento, além do enredo e da distribuição de milhares de amostras, a escola convidou multinacionais da área para apresentarem seus produtos em diferentes carros alegóricos.
  • “Cotonetes na vanguarda”: tudo bem que os enredos, geralmente, sejam um tanto absurdos, mas quando isto se mistura com grana, a coisa pode ultrapassar o limite do ridículo. Exemplo? A Tom Maior, que dentro de um enredo denominado “Glória Paulista: São Paulo na vanguarda da economia brasileira” apresentará uma ala inteira de gente vestida como cotonetes. A razão é simples: o patrocínio da Johnson & Johnson.

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