“Não sou capacho do governo federal. Sou estudante livre da Assembleia Nacional”

    “Nunca Juiz de Fora viu um Woodstock como este aqui”, declarou Valério Arcary, dirigente do PSTU, à juventude que virou do avesso a cidade mineira em um fim de semana prolongado.
    O comentário de Valério não é em vão. No feriado de Corpus Christi, o que se viu nas ruas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foi uma procissão de estudantes dos mais variados cantos do país em busca de uma educação pública de qualidade, em busca do seu direito ao futuro.
    Em plenárias e discussões lotadas de jovens e sonhos, a mistura de sotaques de um país com dimensões continentais se reproduziu no Congresso. “No congresso da UNE está Mercadante, mas aqui, ao contrário, estão todos aqueles que construíram a grande greve de 2012 e os representantes da classe trabalhadora”, declarou Clara Saraiva, da Secretaria Executiva Nacional da ANEL, na plenária de abertura já apontando as diferenças entre os dois congressos.  

    Uma luta sem fronteiras
    Reafirmando o DNA internacionalista da ANEL, estudantes da Argentina, Costa Rica, Chile, Espanha, Senegal e Quebec participaram das atividades, demonstrando que a luta da juventude atropela as fronteiras do nacionalismo. Uma grande bandeira da resistência síria tremulou sobre as arquibancadas, mostrando que a torcida da juventude é pela vitória da revolução contra a ditadura sanguinária de Assad.
     “Nossa luta começou pacífica, contra o massacre de inocentes pelas forças assassinas de Al Assad. Só que a cada protesto por justiça, a repressão aumentava; por isso que dizemos que fomos ‘obrigados’ a fazer a revolução. E, agora que começamos, iremos até o fim”, ThaerAlthale, estudante sírio que esteve no congresso ao lado de Abdullah Al-Zoubi, fez um relato emocionado.

    Uma luta contra as opressões
    Não foram apenas as barracas espalhadas pela grama e corredores da UFJF que tingiram o congresso das mais variadas cores. Mulheres, negros, homossexuais e transexuais, enfim, todos aqueles que cotidianamente são oprimidos e marginalizados, tiveram papel protagonista em todas as discussões, com um dia inteiro dedicado ao combate às opressões. “Dez anos atrás era impossível ter uma liderança se assumindo no movimento estudantil. E aqui o que a gente mais vê é travesti, gay e sapatão na mesa e fazendo intervenção”, afirmou Flávio Bandeira, da setorial LGBT da CSP-Conlutas.

    PSTU no congresso
    O PSTU esteve presente, levando o seu apoio e expondo o seu projeto de sociedade. No lançamento da biografia de Marx, realizado no local do congresso, Atnágoras Lopes, dirigente do PSTU, expôs a uma plateia de 800 estudantes qual o papel de um partido revolucionário e lembrou que “nenhum sacrifício é penoso quando o coração está tomado pelo desejo de transformar o mundo” e que “não há nada mais concreto que a fé na revolução e no marxismo”. As palavras emocionaram dezenas de estudantes que se juntaram ao partido na luta por uma sociedade socialista.
    Com as malas prontas e Juiz de Fora no retrovisor houve quem não quisesse voltar pra casa; houve quem falou ter vivido o socialismo por uns dias e que “estar num lugar sem opressões é muito bom”. Haverá quem diga que é exagero. Quem esteve lá por quatro dias há de discordar. Aqueles que lá estiveram saíram com a certeza de que vale a pena mudar o mundo.

    Post author Dalmo Rodrigues, direto de Juiz de Fora (MG)
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