Zé Maria: “Meirelles é o continuísmo no Banco Central”

É um verdadeiro escândalo a escolha de Henrique Meirelles para a Presidência do BC.Essa escolha, de Lula e do PT, agregada ainda por cima ao compromisso do Partido dos Trabalhadores de dar autonomia ao Banco Central, representa submissão completa aos desígnios do império na via da implantação da ALCA; e significa fraudar o desejo de mudança que os trabalhadores e a maioria do povo pobre expressaram quando elegeram Lula.

Meirelles foi por seis anos Presidente Mundial do sétimo conglomerado financeiro do Planeta: o Fleet Boston Bank, segundo maior credor da dívida externa brasileira, atrás, apenas, do Citgroup. Não é mera coincidência que Meirelles tenha se candidato e sido eleito deputado pelo PSDB – partido dos banqueiros, de Malan, Fraga e FHC.
Lula colocou outra raposa para tomar conta do galinheiro. Meirelles era até ontem chefe de um dos maiores bancos que participam da especulação mundial, empobrecem nosso povo, submetem a economia brasileira e nos empurram para uma situação de colônia.

Querer “Paz e amor” com o mercado – com Bush, com o FMI, com a ALCA – acabará levando o novo governo a fazer guerra contra os trabalhadores, contra a maioria do povo e contra a soberania do país.

Essa opção de Lula vai construindo uma política econômica cada vez mais parecida com a de Malan e FHC: um continuísmo piorado. Significa a disposição de agradar os ricos e fazer com que sejam os trabalhadores e o povo pobre a pagar o preço da crise mais uma vez.

Pois não é outro o sentido das medidas que o novo governo vem apoiando e das Reformas de FHC que Lula está se dispondo a concluir: – aceita que a burguesia aumente todos os preços e se posiciona contrário a que os trabalhadores façam uma campanha de emergência por aumento dos salários e reivindiquem gatilho; defende aumento dos juros; propõe a privatização da Previdência e declara guerra aos direitos dos servidores públicos; se nega a repor as perdas do funcionalismo; mantém o confisco da classe média e dos assalariados com a escandalosa alíquota de 27,5% do imposto de renda. E, de quebra, vai aos Estados Unidos, diz que Bush é “aliado” e aceita dar continuidade às negociações da ALCA.

A classe trabalhadora não deve depositar confiança num governo assim. Deve lutar em defesa dos seus direitos – por emprego, salário e Reforma Agrária – e exigir ruptura com o FMI, com a ALCA e retirada de todos os ministros vinculados ao FMI, à Febraban, FIESP e aos partidos da base governista de FHC que estão entrando no governo Lula.

Os trabalhadores e o povo pobre querem, precisam e merecem mudança!

José Maria de Almeida.