Voltar a ser uma colônia ou romper com o imperialismo

O Brasil não é independente. A economia, o Estado e o governo estão subordinados às decisões do imperialismo norte-americano. Lula está negociando a adesão à Alca, o que fará o país regredir ao status de colônia dos EUA, como vivíamos no século XIXPor muitos séculos, o Brasil e outros países da América Latina foram colônias das grandes potências capitalistas européias. Não havia por aqui governos próprios ou soberania sobre os nossos territórios. Tudo que produzíamos era transferido para enriquecer os colonizadores. No século XIX, o Brasil e os demais países latino-americanos conquistaram sua “independência”, mas na verdade isso era uma pseudo-independência, pois continuamos transferindo riquezas para as grandes potências mundiais.

A “globalização” é uma reafirmação brutal do imperialismo, impulsionada pelos EUA que pretendem transformar novamente os países pobres do mundo em colônias.
Essa ofensiva recolonizadora, que vem sendo aplicada desde o final da década de 1980 (no Brasil apoiada pelos governos Collor, FHC e agora por Lula), tem expressões econômicas, políticas e militares, interligadas.

A militar é bem conhecida, com guerras como a invasão do Afeganistão e do Iraque, com o objetivo de controlar diretamente o gás natural e o petróleo. Os EUA têm cerca de 500 mil soldados espalhados em 138 países. Na América Latina, as bases militares dos EUA são partes desse mesmo plano de recolonização, incluindo a base de Alcântara no Brasil.

A econômica inclui o controle direto da nossa economia pelas multinacionais, por meio das privatizações (como a do setor de energia e de telecomunicações no Brasil), aquisições e fusões (como a recente da Ambev). Qualquer um pode sentir a presença imperialista no país, bastando ver as marcas McDonald’s e Blockbuster espalhadas pelas grandes cidades. As multinacionais têm 100% da produção automobilística, 80% das indústrias de maior nível tecnológico (química fina, eletrônica) e já ocupam metade de setores que antes eram ocupados pela burguesia nacional, como alimentos e têxteis.

Além disso, sugam do país gigantescas somas de capitais com o pagamento da dívida externa, e dirigem diretamente a política econômica dos governos, por meio dos acordos com o FMI.

O resultado não é só a perda da nossa soberania, mas desemprego e miséria crescentes. De acordo com o diretor da Organização Internacional do Trabalho, Juan Somavia, cerca de um bilhão de trabalhadores estão na pobreza, desempregados ou subempregados no mundo. No Brasil, o desemprego já é enorme e piorará ainda mais, caso chegue a Alca.

A contrapartida dessa situação é o sentimento antiimperialista que hoje se fortalece em todo o mundo. Talvez nunca na história recente tenha havido uma consciência antiimperialista tão forte, expressa nas mobilizações contra a invasão do Iraque. As bases para uma luta por uma segunda e verdadeira independência estão aí.

Post author Eduardo Almeida, da redação
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