Violência urbana não é caso de polícia

A violência e o tráfico são apenas justificativas para impor um estado de sítio e terror à população marginalizada dos morros cariocas. Esse enfoque pretende esconder o verdadeiro caráter da violência nas grandes cidades. Trata-se, antes de tudo, de um problema social.

Pobreza
Cotidianamente, a pobreza e o desemprego jogam milhares de jovens na criminalidade. O crime aparece, desta forma, como resultado direto de um modelo econômico que concentra cada vez mais a renda para beneficiar uma ínfima minoria.

Para mudar de fato essa realidade, é necessário transformar esse cenário e inverter a lógica do sistema capitalista. Impor um modelo que, ao invés de beneficiar os grandes bancos e empresas, esteja a serviço das reais necessidades da população, como geração de emprego, educação e saúde.

Criminalização das drogas
Outro aspecto da violência urbana é o negócio ilegal das drogas. A criminalização da comercialização das drogas apenas aumenta os lucros de grandes empresários e traficantes. Estes, certamente, não são os que ficam nos morros para enfrentar a polícia.

A Lei Seca nos EUA dos anos 40, que proibiu o álcool, é um exemplo dessa política desastrosa. Causou o aumento do crime organizado e o aparecimento dos gangsteres, intimamente relacionados com políticos e autoridades. E a violência.

O governo e a polícia, se quisessem realmente enfrentar o problema, descriminariam o uso e comércio de drogas. Ou seja, eles deixariam de ser crime. A medida desincentivaria uma verdadeira cadeia produtiva que se esconde por trás do tráfico, que vai do comércio ilegal de armas a toda sorte de crimes, e que se infiltra nas estruturas do próprio Estado.

Fim dessa polícia corrupta
Por fim, a polícia não é a solução, mas é responsável por boa parte da violência. Corrupta e aliada ao tráfico, é uma das maiores fornecedoras das armas dos criminosos.

Para atacar isso, seria preciso acabar com esse modelo de polícia autoritária e truculenta, substituindo-a por uma polícia controlada pela própria população, numa estrutura realmente democrática.

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