USP: Da ocupação da reitoria à ocupação do DCE

Vitória da Chapa “Nada Será Como Antes” marca o nascimento de um novo movimento estudantilDe 25 a 27 de novembro, ocorreram as eleições para o Diretório Central dos Estudantes da USP. A chapa “Nada Será Como Antes” venceu a disputa com mais de 3.300 votos. A chapa que representava a atual gestão, “Baião de Todos”, obteve 2.127 votos.

Ocupando o DCE
No ano passado, os estudantes da USP protagonizaram uma das maiores mobilizações estudantis em muitos anos. A ocupação da reitoria e a greve das universidades estaduais paulistas foram o ponto de partida para um processo de fortes lutas estudantis em todo o país.

Foram dezenas de ocupações que produziram desde questionamentos a decretos do governo Federal até a derrubada de reitores corruptos. Esse intenso processo de mobilização ocorreu contra a vontade da União Nacional dos Estudantes. A UNE passou para o lado do governo federal e se posicionou contrária à maioria das ocupações que ocorreram no país.

Este novo movimento estudantil, entretanto, que ocupou e segue ocupando reitorias, ainda não havia ocupado o DCE da maior universidade pública do país. Esta contradição foi superada com a vitória do movimento “Nada Será Como Antes!”.

Uma gestão lamentável, um final melancólico
A vitória da oposição foi sendo construída ao longo do ano. Após a enorme vitória de 2007, com a derrota parcial dos decretos de Serra, o governador voltou a atacar com novos decretos. A atual gestão do DCE (“Vez e Voz”) não impulsionou a luta dos estudantes contra os novos decretos e pela garantia das conquistas da ocupação.

“A atual gestão foi um entrave para a mobilização. Eles trabalharam para impedir que a luta iniciada em 2007 se desenvolvesse. Seu maior pesadelo era a possibilidade de uma nova ocupação de reitoria. A oposição ganhou porque, ao longo do ano, foi capaz de apresentar uma alternativa para os estudantes. Fizemos o Plebiscito do ReUni, construímos o Encontro Nacional de Estudantes, a jornada de lutas e impulsionamos as mobilizações contra os ataques de Lula e Serra. E, se necessário for, vamos ocupar a reitoria novamente para derrotar os novos decretos de Serra”, afirma Gabriel Casoni, estudante de Ciências Sociais e diretor da nova gestão do DCE.

Não bastasse a lamentável gestão, a chapa “Baião de Todos” ainda teve um final melancólico. Após constatar que estava perdendo as eleições nos dois primeiros dias, um setor da chapa “Baião de Todos” (Movimento “A Hora é essa!”), paralisou as eleições no campus de Ribeirão Preto, devido à violação do lacre de uma urna.

O real objetivo era questionar o conjunto das eleições, apoiando-se no argumento de que as eleições não ocorreram no último dia naquele campus. A chapa “Nada Será Como Antes” defendeu que as eleições continuassem e que a urna violada fosse substituída por outra. Entretanto, isto não ocorreu e as eleições foram paralisadas no campus.

Apesar disso, as eleições transcorreram até o final. Durante a apuração, os membros da Comissão Eleitoral da chapa “Baião de Todos” votaram pela impugnação das urnas de Ribeirão Preto. Apesar do voto contrário dos membros da chapa “Nada Será Como Antes”, as urnas foram impugnadas.

A tentativa de acabar com as eleições após a impugnação das urnas, impulsionada pelo movimento “A Hora é essa!”, foi rechaçada pelas demais chapas e inclusive por demais setores da chapa “Baião de Todos” (Contraponto, Domínio Público e, após uma longa indecisão, Romper o Dia). Assim, a apuração se realizou sem mais questionamentos e revelou a esmagadora vitória da chapa “Nada Será Como Antes”. A diferença de votos da chapa vencedora supera qualquer resultado do campus de Ribeirão, jogando por terra qualquer tentativa de manobra.

Um DCE para impulsionar um novo movimento estudantil
Agora o DCE da USP impulsionará novas lutas, além de se colocar na linha de frente da construção do Congresso Nacional dos Estudantes. “Nossa calourada deverá estar a serviço da mobilização contra os ataques do governo e da organização de um Congresso Nacional dos Estudantes que unifique os lutadores e faça avançar a construção de um instrumento de luta alternativo à UNE para o movimento estudantil nacional”, disse Gabriela Hipólyto, diretora da nova gestão do DCE.

Não resta nenhuma dúvida. O novo movimento estudantil segue se fortalecendo. O ano que vem será o palco de importantes batalhas que definirão os rumos da universidade pública. O DCE da USP e o Congresso Nacional de Estudantes serão armas importantíssimas para os estudantes travarem essa batalha. Que venha 2009! Nada Será Como Antes!

CONFIRA OS RESULTADOS:
Nada Será Como Antes!

(PSTU e independentes)
3341 votos

Baião de Todos
(MES, PCB, APS, Rosa do Povo e independentes)
2127 votos

Que picadeiro é esse?
(PT, PCdoB, MR8, Adeus Lênin e independentes)
510 votos

Território Livre
(Negação da Negação e independentes)
425 votos

AJR
(PCO e independentes)
91 votos

Post author Emiliano Soto, da Secretaria Nacional de Juventude do PSTU
Publication Date