Universidades estaduais protestam na Avenida Paulista contra veto de Alckmin

Deputados esvaziam plenário e adiam votação sobre o veto do governador. Manifestantes decidem manter greve e fazem passeata com 3 milDepois de ocuparem a Assembléia Legislativa no dia 30 de agosto, estudantes, funcionários e professores da USP, da Unicamp, da Unesp e da Fatec (faculdade tecnológica), voltaram ao local neste 1º de setembro. O novo protesto ocorreu, pois os deputados votariam nesse dia a manutenção ou não do veto do governador Geraldo Alckmin ao aumento de verbas para a educação.

Participaram manifestantes de São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto, Marília, Bauru, Botucatu e Assis. Foram contabilizados 53 ônibus no total, o que garantiu que o ato tivesse cerca de 3 mil pessoas, segundo o comando de greve da USP. Valério Freire Paiva, estudante de Letras na USP, disse que “este é o maior ato das universidades estaduais em muitos anos”.

Os manifestantes ocuparam o prédio da Alesp e se distribuíram pelas salas e corredores do prédio. Os que não conseguiram chegar ao salão principal assistiram às discussões por telões.

Um dos refrões entoados no protesto foi “Geraldo, ladrão, destrói a educação“. Houve também vaias, principalmente ao deputado líder da bancada do governo, Edson Aparecido, do PSDB. Ele disse em seu discurso que o assunto não havia sido discutido e, por isso, a base do governo não poderia votá-lo.

LDO
Foi aprovada uma inclusão na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) que sobe as despesas com educação de 30% para 31% do Orçamento. A estimativa é que esse aumento pudesse gerar R$ 470 milhões extras para a área em 2006.

Alckmin vetou a alteração, alegando que a vinculação para o ensino já é muito alta. No último protesto ocorrido na Alesp no dia 30, os deputados garantiram ao Fórum das Seis (que reúne as entidades de docentes, funcionários e estudantes das estaduais paulistas) que a votação sobre o veto do governador ocorreria no dia 1º de setembro.

Para que houvesse a derrubada do veto, era necessário que 48 deputados votassem pela inversão da ordem do dia, ou seja, que o veto da LDO, 191º tema da lista, fosse o primeiro assunto a ser analisado. Entretanto, com o esvaziamento do plenário, apenas 27 deputados registraram o voto. Os manifestantes reagiram a isso jogando bolinhas de papel no plenário. Por causa disso, foi marcada para o dia 6 de setembro uma reunião do colégio de líderes para tentar um acordo e decidir quando colocar em votação a questão do veto. O ponto deve ser votado o mais rápido possível, pois, se isso não ocorrer, a LDO fica travada.

Luta continua
Após o final da sessão, por volta das 18h, houve uma assembléia unificada ainda dentro do prédio da Alesp, para decidir os rumos do movimento. Os manifestantes mantiveram o indicativo de continuar com a greve nas universidades estaduais e avançar para as unidades que ainda não aderiram.

A assembléia também decidiu fazer, ainda naquele dia, uma passeata que parasse o trânsito e chamasse a atenção da população para a reivindicação do aumento de verbas para a educação. Os manifestantes cantavam “Lula lá, Geraldo aqui. E a verba vai pro FMI.” A passeata saiu do Ibirapuera e seguiu até a avenida Paulista, onde duas faixas foram interditadas. O protesto terminou às 21h, em frente ao Masp.