Unir para lutar

Uma parte importante dos batalhões pesados do proletariado brasileiro está se mobilizando. Os metalúrgicos da Volkswagen e da General Motors entraram em luta contra os planos de demissões destas multinacionais. As duas empresas não vivem crises no Brasil, mas querem ampliar seus lucros para ajudar suas matrizes a superar prejuízos na Alemanha e nos Estados Unidos.

Para isso, ameaçam demitir 5.573 trabalhadores na Volks e 960 na GM. Querem impor mais uma rodada da reorganização produtiva nestas empresas. A idéia da Volks é implantar a terceirização de alas inteiras, demitindo operários e contratando outros, pelas terceiras, com salários muito menores.

Para qualquer operário, a conclusão é clara: é necessário união na luta contra estas empresas. Mas esta não é a postura da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Como é ligada à CUT, não está disposta a unir os metalúrgicos da Volks aos metalúrgicos da GM de São José dos Campos, ligados à Conlutas.

Ao contrário, os metalúrgicos da Conlutas estão claramente empe-nhados em construir esta unidade. Não é uma luta fácil, por enfrentar multinacionais com grande poder econômico. A base dos metalúrgicos do ABC seguramente também está a favor da unidade, que é bloqueada pela direção do sindicato.

A explicação para o divisionismo da direção do sindicato do ABC é seu apoio ao governo Lula. Esperam que através do governo se resolvam os problemas, e não querem unificar a luta com São José, que tem uma postura independente e de oposição ao governo.

O problema é que até a agora o governo só atuou em defesa das empresas. Não houve, ao menos até o momento, nenhum pronunciamento de Lula a favor da mobilização dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, dos quais ele foi dirigente sindical por anos. Tampouco de Luiz Marinho, ministro do Trabalho, que foi metalúrgico da Volks no passado. Até agora, o que o governo fez foi conceder um empréstimo de 497 milhões de reais à empresa para financiar seu plano de reorganização, responsável pela ameaça de demissão dos operários. Ou seja, o governo está financiando a derrota dos metalúrgicos.

É preciso unidade para lutar contra as multinacionais. É preciso exigir do governo Lula que apóie a luta metalúrgica, garantindo a estabilidade no emprego. É preciso garantir a mobilização unitária dos sindicatos do ABC e de São José. Também é necessário o apoio dos sindicatos de todo o país, em manifestações nas portas das concessionárias da Volks e da GM.

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