Unidade eleitoral a serviço das lutas diretas ou somente para eleger deputados?

Uma das polêmicas já expressadas pela direção do PSOL com o PSTU é sobre a concepção de campanha. O PSTU defende uma postura clássica da esquerda revolucio-nária: a participação parlamentar e as eleições são importantes, mas como pontos de apoios para o que é central, que são as lutas diretas dos trabalhadores.

Não se vai mudar o país através de eleições, um terreno controlado pela burguesia, manipulado pelas TVs e viciado pelo poder econômico das grandes empresas. O que pode mudar o país é a ação direta das massas trabalhadoras em um grande processo revolucionário. Por este motivo, as eleições são importantes, ter parlamentares é importante, mas sempre a serviço dessas lutas diretas.

O PT defende um critério distinto: o central é a eleição. A partir daí, vale tudo. Valem as alianças com partidos burgueses (“ampliar” para ter mais chances eleitorais), rebaixar o programa (para conseguir o apoio de um setor da burguesia) e girar toda a atividade do partido ao redor das eleições.

Alguns setores do PSOL utilizam os pequenos resultados eleitorais do PSTU para demonstrar como é equivocada a nossa posição. Os nossos resultados eleitorais realmente foram magros. Mas é necessário dizer que foram conquistados sem o peso eleitoral petista (e sem seu tempo de TV), o que só agora os companheiros do PSOL vão experimentar. Além disso, se deram em um momento de fortalecimento do PT. A realidade agora é mais favorável, pelo desgaste do governo Lula. Mas a democracia dos ricos nunca possibilitará uma mudança real do país através das eleições e, por isso, a prioridade para nós seguirá sendo a luta direta dos trabalhadores.
A direção do PSOL disse não concordar com nosso critério, mas não disse com clareza por que, e nem se concorda com a postura do PT sobre este tema.

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