Uma insurreição levanta o Iraque de norte a sul contra o imperialismo

Tudo mudou no Iraque, nas últimas semanas. Nada será como antes, nem na política imperialista e nas suas alianças, nem na resistência.

As ações de resistência de Fallujah e das cidades próximas chegaram a controlar as estradas de acesso a Bagdá pelo norte. A tomada de várias cidades no centro e no sul, como Najaf, Kut e Kufa, além de bairros inteiros de Bagdá, e de postos governamentais em Nassiria e Kerbala, resultou na expulsão das tropas de ocupação e dos prepostos da polícia fantoche. A contra-ofensiva assassina dos norte-americanos contra Fallujah e as cidades tomadas, matando mais de 600 pessoas, além dos bombardeios indiscriminados sobre os bairros xiitas rebelados, marcaram uma virada na situação iraquiana. Essa mudança é de tal magnitude que tem conseqüência não só em território iraquiano, mas no conjunto da situação internacional, como se manifestou antes na Espanha e agora na Itália, Japão, e mesmo nos EUA.
O fator fundamental dessa mudança é que as massas iraquianas entraram em ação de forma contundente e generalizada contra a ocupação. Quaisquer que sejam as idas e vindas no terreno militar, o imperialismo sofreu reveses que ameaçam a continuidade de sua ocupação, pois se trata de uma guerra entre a principal potência bélica e uma guerrilha com equipamentos bem inferiores.

As comparações com o Líbano de 1982 e a guerra do Vietnã já são constantes na imprensa e endossadas até mesmo por militares e velhos políticos burgueses norte-americanos. Em ambos os casos, Líbano e Vietnã, a tentativa de responder à dureza da resistência levou as tropas ianques a aumentar selvagemente seus efetivos e a reprimir manifestações. Assim como vem fazendo no Iraque, ao assassinar a esmo em ruas e bairros, inclusive crianças e idosos; encarcerando milhares de ex-soldados ou “suspeitos” iraquianos; cercando cidades inteiras, submetendo à fome seus habitantes, e destruindo casas e mesquitas, como ocorreu em Fallujah. Para os ocupantes, todo iraquiano pode ser um inimigo. E, portanto, pode ser abatido. Mas agora, para a ampla maioria do povo iraquiano, todos ocupantes e colaboradores do imperialismo passaram a ser um inimigo a ser abatido.

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