Uma alternativa democrática, independente que represente os explorados e oprimidos

Outras resoluções que aparecerão no Congresso se referem à sua própria natureza. Uma central sindical tradicional ou uma organização que represente os trabalhadores explorados e oprimidos, do campo e da cidade? Esse será um importante ponto do Congresso.

A proposta defendida por vários setores, entre eles os militantes do PSTU, coloca a necessidade da reafirmação do caráter sindical e popular da Conlutas. Isso porque os mesmos ataques que atingem os trabalhadores sindicalizados são os mesmos que atingem os sem-terra e os sem-teto por exemplo. Ainda que a classe operária seja, pela sua localização, o setor mais importante na luta pelo socialismo, a solidariedade de todos os setores oprimidos e explorados é fundamental.

Da mesma forma, princípios aprovados no Conat e que nortearam a ação da Conlutas nesses dois anos também devem ser reafirmados. Como a total independência de classe e a autonomia da entidade frente a partidos e aos governos.

Outra questão que será discutida é a luta contra a burocratização na direção dos sindicatos. O afastamento da base e os privilégios materiais são elementos que devem ser combatidos e que podem colocar em risco a construção desse projeto. Não menos importante é a reafirmação do método prioritário da ação direta, da mobilização dos trabalhadores.

O internacionalismo efetivo é outro elemento que deve ser reafirmado. A luta contra os ataques aos trabalhadores e pelo socialismo é uma luta internacional. A Conlutas, portanto, não deve se restringir às fronteiras. Nesse sentido, o Elac será um importante momento para coordenar lutas e mobilizações comuns no continente.
A organização dos setores oprimidos será também um momento importante do Congresso. Os encontros de negros e negras e o de mulheres realizados pela Conlutas mostraram o espaço e a necessidade de avançar na organização desses setores, a partir de um corte classista.

Ajustes no sistema de direção
Outro tema que será pauta no congresso é a necessidade de ajustes no atual sistema de direção da Conlutas. Hoje, a direção funciona através das reuniões nacionais e da atuação dos diferentes Grupos de Trabalho (GT’s).

Se por um lado esse formato foi essencial para o atual estágio de construção da Conlutas, por outro ele apresentou algumas limitações que precisam ser superadas. O fato, por exemplo, de poucas entidades disponibilizarem dirigentes para o GT de Secretaria, fez com que as tarefas recaíssem nas costas poucos companheiros.

Uma das propostas para se superar essa limitação é a constituição de um coletivo de dirigentes, eleito pela Coordenação Nacional. Tal coletivo cumpriria as tarefas hoje delegadas ao GT de Secretaria, de Estrutura Material e Comunicação. Esses dirigentes seriam eleitos na primeira reunião da Coordenação após o congresso, e teriam mandato de dois anos, revogável a qualquer momento.

Outro problema é a representatividade na reunião da Coordenação Nacional da Conlutas. Pela forma que vigora hoje, um pequeno Centro Acadêmico estudantil tem o mesmo peso nas decisões da entidade que uma grande entidade sindical, com milhares de filiados. É necessário corrigir essa distorção e estabelecer uma forma que o peso da entidade ou movimento se reflita nas decisões da direção da Conlutas.

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