Um dia depois

O presidente do PT, José Genoíno, um dia depois da derrota nas eleições municipais em São Paulo, afirmou que seu partido “nunca teve uma votação tão forte nas camadas populares”. Afirmou ainda que “Há segmentos na classe média que temos de saber disputar”, e por isso “o partido vai rever a estratégia de comunicação da campanha eleitoral em São Paulo”.

Ou seja, segundo seu presidente, o PT nunca esteve tão bem entre os trabalhadores pobres. O problema foi na comunicação, para ganhar os setores de classe média, que têm mais dinheiro. Com esse balanço, a lição que o PT está tirando destas eleições é que o necessário é ir ainda mais para a direita, para tentar ganhar os setores de classe média.

O PT perdeu, no entanto, porque uma parte importante de sua base tradicional, nos setores mais politizados e organizados dos trabalhadores, rompeu com esse partido. Foi assim com os bancários depois de sua greve nacional em que tiveram que se enfrentar com os banqueiros e com o governo. Foi assim com o funcionalismo público, depois da greve da Previdência no ano passado. Foi assim com uma parte importante dos metalúrgicos, professores, petroleiros e estudantes desiludidos com a política econômica do governo.

O PT está cada vez mais deixando de se apoiar nos setores organizados em termos sindicais e avançados politicamente, para se basear nas camadas mais despolitizados e carentes da população, que dependem de suas políticas sociais compensatórias e clientelísticas. Perdeu as eleições porque esta nova base de apoio não foi suficiente para cobrir a ruptura dos outros setores.

O governo foi derrotado, não por sua “opção pelos pobres”, mas por sua opção pelos ricos, pelos banqueiros e pelo FMI. É o plano econômico neoliberal, que já levou ao desgaste o governo FHC, que começa a enfraquecer também o governo Lula.

A farsa do PT para suavizar sua derrota, só encontra paralelo nas declarações dos candidatos vitoriosos da oposição de direita, que querem se mostrar como uma “nova opção”. Não existe nada mais velho que a opção PSDB-PFL, que já dirigiu este país por muitos e muitos anos, com os mesmos resultados que os do PT.

Aos trabalhadores e jovens, resta o caminho da luta direta por suas reivindicações. Nenhuma confiança nos candidatos vitoriosos dessas eleições sejam eles do PT ou da oposição de direita. Por isso é hora de preparar a grande marcha a Brasília contra o governo do dia 25 de novembro.

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