Um congresso com milhares de lutadores

Fim da eleição de delegados aponta para um congresso histórico, superior ao ConatDurante os meses de abril e maio, centenas de assembléias ocorreram em todo o país. Os primeiros números mostram que 720 delegações se credenciaram na Conlutas para participar do congresso, que ocorrerá em julho. A quantidade de representantes eleitos ainda não é conhecida, mas, pela quantidade de delegações, o congresso pode reunir mais de 5.000 delegados. Com isso, o evento pode ser um fato histórico, superando o Congresso Nacional de Trabalhadores, o Conat, que reuniu 2.780 delegados em 2006.

“O credenciamento confirma que será um grande congresso para discutir um plano de ação e as lutas que virão. Um congresso representativo é importante tanto para a consolidação da Conlutas quanto para a construção da unidade com os outros setores que lutam contra os ataques do governo e das empresas”, afirma Zé Maria, da coordenação nacional da Conlutas.

Essa enorme vitória foi resultado do esforço de lutadores de todo o país. Mais do que a quantidade, o congresso deve expressar as lutas do último período. “No mês passado, estávamos no piquete, construindo a greve. Agora estamos construindo o congresso”, afirmou um trabalhador da construção civil na assembléia de Fortaleza. A “greve do peão” parou a capital do Ceará por semanas. Foi um exemplo para os trabalhadores de todo o país, das fábricas aos canteiros de obras de Campinas, do Pará e da Revap, em São José dos Campos (leia matérias nesta edição).

“O apoio da Conlutas foi decisivo para a greve. Por isso, agora, todos querem participar do congresso. Dos 41 delegados eleitos, 30 são da base, não são da diretoria do sindicato. É como se fosse outra greve. Serão 41 piqueteiros no congresso”, afirma Fábio José, do PSTU. Com apenas um tema, a assembléia em Fortaleza reuniu 337 pessoas e durou cerca de duas horas. De todo o Ceará, cerca de 200 delegados devem participar do congresso, incluindo outras categorias que lutaram recentemente, como os rodoviários e as trabalhadoras da confecção.

A disputa por uma nova direção se dá nas greves, mas também nas eleições dos sindicatos. Em São Paulo, os professores da Oposição Unificada estão na reta final da eleição para a Apeoesp, que ocorre nesta quinta-feira, dia 5 (leia na página 9). Em meio à disputa para mudar o sindicato, eles realizaram assembléias em diversas cidades paulistas no sábado, dia 30 de maio. Ao todo, foram 26 reuniões no Estado, que debateram as teses, elegeram cerca de 200 delegados e serviram para preparar os últimos dias de campanha.

Mais de 600 pessoas participaram dos debates. A assembléia de Guarulhos (SP) foi a maior, com 86 pessoas. João Zafalão fez a defesa da tese “Avançar na Consolidação da Conlutas: Classista, Democrática, pela Base e Socialista”, defendida por inúmeros sindicatos e entidades e também pelos militantes do PSTU. Ele falou da enorme vitória política do fortalecimento da Conlutas e da importância do congresso. “Construímos uma alternativa. Com esse congresso, podemos avançar ainda mais, reafirmando nossa independência diante dos governos e reunindo trabalhadores, estudantes e todos os setores explorados na defesa do socialismo”, afirmou.

O internacionalismo e o Encontro Latino-Americano e Caribenho de Trabalhadores (Elac) também foram temas de assembléias de todo o país, como as de São José dos Campos (SP). Em sua campanha contra os ataques da General Motors, os metalúrgicos buscaram o apoio de trabalhadores de outros países. Conversaram com trabalhadores da Argentina e dos Estados Unidos, que enfrentam a montadora. “A partir dessa experiência, ficou muito mais fácil discutir o internacionalismo e o Elac. A luta de um trabalhador da GM daqui é a mesma de um metalúrgico da GM em outro país”, afirma Vivaldo Moreira, diretor do sindicato.

Reunidos em quatro assembléias, uma por subsede do sindicato, os metalúrgicos elegeram 72 delegados ao congresso da Conlutas. Antes das assembléias, a tese defendida pela direção do sindicato foi discutida em reuniões por fábrica, com pequenos grupos de trabalhadores, de acordo com o horário de trabalho. “Agora, vamos continuar com as conversas nas fábricas, para seguir debatendo o conteúdo das teses e as polêmicas e confirmar a presença de todos os delegados”, afirma Vivaldo.

Garantir a ida de todos ao congresso
As assembléias que elegeram os representantes ao congresso são apenas um dos desafios até o evento. A garantia do transporte de todos os delegados e observadores até Betim (MG) e o pagamento das taxas têm exigido um esforço a mais de ativistas de todo o país. As formas para conseguir esses recursos são completamente diferentes das usadas pelo sindicalismo governista, que se apóia no imposto sindical e em verbas do governo e de empresas. Ao contrário, a Conlutas vem se construindo de forma independente e isso se expressa na sua sustentação, feita pelos próprios trabalhadores. Por todo o canto, campanhas financeiras estão sendo feitas, com rifas, sorteios, pedágios, festas e dezenas de outras formas. Com certeza, o trabalho para isso é muito maior, mas é o que garante que o congresso seja de fato um congresso de trabalhadores, sem patrões ou governos.

AS DELEGAÇÕES*

212
sindicatos

180
oposições ou
minorias de
sindicatos

170
entidades
estudantis

50
entidades do
movimento
popular urbano

40
entidades do
movimento
popular rural

720
delegações
credenciadas

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