Um congresso amplamente democrático

CNE retoma tradição de debate e democracia no movimento estudantilA abertura do congresso foi realizada pelo DCE da UFRJ, anfitrião, o DCE da UFMG e o DCE da USP, que no momento do congresso estava à frente da mais importante luta estudantil no país: a mobilização contra o ensino à distância, a presença da PM no campus e pelas eleições diretas para reitor. Após a saudação de abertura, houve uma mesa sobre a crise econômica e os movimentos sociais, com a presença de Conlutas, Intersindical, MTST e Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.

Em seguida, os delegados aprovaram a ordem do dia e assistiram às apresentações das 16 teses inscritas. Cada uma teve um tempo máximo de oito minutos e meio para se apresentar, o que significou mais de duas horas de exposição. No final do dia foram realizados painéis temáticos sobre universidades públicas e privadas e ensino médio e técnico.

O objetivo das mesas e painéis foi criar acúmulo para os debates nos grupos. No segundo dia, pela manhã, ocorreram ainda mesas sobre a crise do capitalismo e a construção do socialismo e outra sobre a mobilização na USP. Logo após o almoço se instalaram os grupos de discussão, que abordaram temas como conjuntura, educação, opressões e cultura.

Para relembrar a história do movimento estudantil, o terceiro dia começou com uma apresentação de um dos organizadores do histórico congresso da UNE de Ibiúna em 1968. Naquela ocasião, a ditadura militar invadiu o evento e prendeu centenas de ativistas do movimento estudantil. A importância de relembrar a história do movimento combativo se fez presente nessa mesa e ao longo de todo o congresso.

Os delegados optaram por instalar os grupos logo em seguida. Logo após o almoço se realizou a discussão sobre o movimento estudantil, que se estendeu até o horário da janta. No último dia, as propostas apresentadas nos grupos foram levadas à votação na plenária final, onde os delegados votaram os temas debatidos.

O Congresso Nacional dos Estudantes retoma assim uma antiga tradição do movimento estudantil brasileiro, jogada na lata do lixo pela UNE. Um evento centrado nas discussões das teses e das opiniões de cada estudante presente. Pela primeira vez em mais de uma década, o movimento estudantil brasileiro tem a oportunidade de realizar um congresso repleto de debates, onde foi possível opinar livremente sobre os diversos temas relacionados à ação e à luta do movimento estudantil.

Post author Leandro Soto, da Secretaria nacional de Juventude
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