Trezentos

Não, não estamos falando dos 300 espartanos que enfrentaram a legião persa. Falamos das 300 edições do Opinião Socialista, um motivo de orgulho para todos nós. Enfrentamos, também, uma legião de obstáculos que levaram os outros jornais regulares da esquerda a desaparecer. Isso simboliza um processo mais profundo: algo de novo está surgindo na realidade, e nosso jornal é parte disso.

Algo que se expressou no fortalecimento de uma alternativa de esquerda combativa e de lutas no dia 23 de maio, contra o governo petista. Algo que vem à tona com o ressurgimento das discussões sobre o socialismo em todo o mundo.

A crise mundial do imperialismo não pode ser mascarada pelo crescimento econômico de momento. É hora de começar a discutir estratégias. É sintomático que o socialismo volte a ser debatido entre os ativistas do movimento sindical, estudantil e popular. É preciso discutir além do conjuntural, da tática para as lutas imediatas.

Existe uma enorme confusão ideológica provocada, entre outros acontecimentos, pela ascensão de Lula ao governo. O que é exatamente ser de esquerda hoje, quando o PT faz o que faz? Nós respondemos: não temos nada a ver com o PT, somos socialistas e revolucionários.

No exato momento em que escrevíamos este editorial, o site do PT tinha como matéria principal uma entrevista com Luiz Marinho, ex-presidente da CUT e atual ministro da Previdência, anunciando que a proposta de reforma do governo deve estar pronta em agosto ou setembro. Isso significa que o PT está ajudando a preparar mais uma reforma neoliberal, exatamente o mesmo programa de Bush e das multinacionais.

Já o site do PCdoB tem como manchete a defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sem nenhuma crítica a este notório corrupto, com a publicação, inclusive, de seu discurso na íntegra. Calheiros, como se sabe, foi um dos mais famosos líderes da “tropa de choque” de Collor, depois apoiou FHC e agora está com Lula. Foi também um dos grandes aliados de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) quando este foi presidente da Câmara e, agora, a aliança se mantém quando Calheiros é flagrado em mais um escândalo de corrupção.

Os dois partidos da esquerda reformista que sustentam este governo, PT e PCdoB, mostram a quem servem. São beneficiários dessas verbas da corrupção estatal e apoiadores das reformas neoliberais.

Esta edição do Opinião Socialista mostra uma opção de esquerda, revolucionária, socialista e irreverente.

Uma esquerda que se orgulha de mostrar, em suas páginas centrais, o que a Rede Globo e a grande imprensa esconderam em relação ao dia 23 de maio: a vitória da mobilização contra o governo e a derrota da CUT governista. Em nenhum jornal foi possível encontrar, como aqui, a descrição das maiores mobilizações dos últimos anos no país. O Encontro Contra as Reformas, no dia 25 de março, definiu um plano de lutas que se efetivou nos atos de 1º de maio e nas mobilizações de 23 de maio. Isso foi só uma amostra de como o país vai ferver de agora até a grande marcha a Brasília no segundo semestre para enfrentar a reforma da Previdência anunciada por Marinho. O Opinião oferece a palavra para Zé Maria e outros líderes das lutas para explicar o que aconteceu no dia nacional de lutas e os próximos passos.

A ousadia da ocupação da reitoria da USP ganha as páginas do Opinião através das vozes dos próprios estudantes. Com quase um mês de ocupação, em meio ao cansaço da luta, os estudantes indicam uma nova face do movimento estudantil, bem distante da UNE governista que tem estado ausente todo o tempo.

O Opinião escapa do lugar comum e do oba-oba chavista que arrasta grande parte da esquerda. Em nossas páginas, já mostramos como não acreditamos no “socialismo” que promove a criação de uma nova burguesia a partir do Estado venezuelano. No “socialismo” que promove acordos de produção e comercialização com as multinacionais do petróleo, que assim seguem explorando a Venezuela. Neste número, nos solidarizamos com a luta palestina, contra mais uma leva de agressões nazi-fascistas de Israel.

O Opinião traz ainda um chamado do PSTU ao congresso do PSOL por uma frente de esquerda, que seja uma alternativa clara ao desencanto com o PT e o PCdoB.

Chegamos com orgulho ao número 300 porque expressamos a defesa ampla e unitária da luta dos trabalhadores e estudantes. E o fazemos porque defendemos o socialismo revolucionário num momento em que é possível lutar e vencer. Una-se a nós!
Post author Editorial do Opinião Socialista nº 300
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