Treze anos do assassinato de José Luís e Rosa Sundermann, dirigentes do PSTU

Não vamos esquecê-los!No dia 12 de Junho de 1994, foram assassinados José Luís e Rosa Sundermann, às 3h30 da madrugada, em sua casa em São Carlos, interior de São Paulo. Carlos Eduardo, o Duda, filho do casal, ao retornar para casa, encontrou os pais mortos no chão da sala. Em Abril de 1998, Duda foi encontrado morto ao pé de uma cachoeira da região.

José Luís foi morto com dois tiros no lado esquerdo da cabeça. Estava sentado em frente à televisão quando foi assassinado, sem poder ter qualquer reação.

Rosa estava sentada à sua frente. Possivelmente, viu o primeiro assassinato. Foi encontrada com um tiro na região superior do antebraço esquerdo. Ela tentou se defender e teve o maxilar quebrado e mais um tiro na região temporal esquerda.

Dois revolucionários socialistas assassinados covardemente
José Luís era dirigente do Sindicato dos Servidores da Universidade Federal de São Carlos e da Federação dos Servidores das Universidades Federais (Fasubra), e Rosa tinha sido recentemente eleita para o primeiro Comitê Central do PSTU, no congresso de fundação, uma semana antes do seu assassinato.

Sempre foram muito ativos em todas as lutas sociais e sempre estavam presentes nas mobilizações dos trabalhadores da região, como na greve dos cortadores de cana da Usina Ipiranga de Açúcar e Álcool Ltda., em agosto de 1990.

Somente assassinos frios e calculistas invadem uma casa na calada da noite, de maneira silenciosa, sem que os vizinhos vejam ou ouçam nada, e matam com tal precisão e frieza. Nada foi roubado da casa, sequer talões de cheque ou cartões de crédito.

O assassinato destes combatentes revolucionários somente interessaria aos ricos e poderosos desta região, os mesmos que costumam contratar este tipo de assassino.

Corte Interamericana de Direitos Humanos começa a investigar o assassinato
Os advogados do Instituto José Luis e Rosa Sundermann, do PSTU, entraram com uma denúncia por negligência governamental na apuração deste crime na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos.

A própria Polícia Civil da região admitiu não ter condições de chegar à resolução de um crime tão complexo. O Inquérito Policial se transformou num dos mais longos da história policial brasileira, ficando aberto por mais de 10 anos.

No dia 16 abril passado, o Secretário Executivo desta Comissão, Santiago A. Canton, informou que o Estado brasileiro foi notificado e que tem dois meses para contestar. Com esta denúncia na CIDHH e a possível punição do Estado brasileiro talvez seja feita, ainda que parcialmente, justiça.