Trabalhadores e estudantes vão ás ruas no Rio e em Curitiba

O calendário de atos organizado pela Conlutas nas principais capitais do país continua levando os trabalhadores e a juventude para as ruas contra o governo e o Congresso. No dia 21, foi a vez de Curitiba protestar, levando cerca de mil pessoas ao ato. No dia 22, as ruas do Rio de Janeiro foram ocupadas por 2.500 pessoas, repetindo o sucesso de outras grandes capitais, como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Nesse momento em que a oposição de direita, o Congresso e o governo se unem para que os escândalos de corrupção terminem em pizza, os trabalhadores saem às ruas, relacionando suas lutas específicas com a luta contra a corrupção que se instalou em Brasília. Os setores em greve ou campanha salarial têm tido uma participação importante nos atos chamados pela Conlutas contra a corrupção e as reformas neoliberais.

Em todos os atos, o grito pelo Fora Todos!, levantado pelo PSTU, contagiou os manifestantes e a população que acompanhou as mobilizações.

Rio de Janeiro: 2.500 contra o governo e o Congresso
No Rio de Janeiro, a concentração foi na Candelária, a partir das 16 horas, de onde os 2.500 manifestantes partiram em passeata com destino à Cinelândia. O protesto tomou a avenida Rio Branco com muitas faixas e bandeiras, com cuecões, máscaras e um boneco de Lula, que depois foi queimado pelos estudantes.

Os servidores federais em greve marcaram forte presença, com colunas organizadas e camisas da greve: Colégio Pedro II, docentes e técnico-administrativos da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Sintur – UFRRJ) e funcionários da UFRJ que aprovaram em assembléia, a contra-gosto da direção do sindicato, participar do ato. Também foi numerosa a presença de categorias mobilizadas pelas oposições sindicais ligadas à Conlutas: bancários (que haviam feito paralisação naquele dia), correios, petroleiros, justiça federal, funcionários em edifícios e urbanitários.

O governo estadual de Rosinha Garotinho também foi muito criticado pelo funcionalismo estadual, que esteve em grande número. A juventude foi muito expressiva e animada, reunida principalmente em torno da Conlute (Coordenação de Luta dos Estudantes), com a presença de secundaristas, centros acadêmicos e DCE`s, entre eles os da UFRJ, UFF, UFRRJ e da Estácio Nova América.

Zé Maria, da direção nacional do PSTU, esteve presente no ato carioca e falou no carro de som que “não podemos aceitar a oposição de mentirinha, o bloco PSDB-PFL é igual ao do PT. Temos que pôr para fora o Lula, PT, PFL, PSDB e, através de nossa luta e mobilização, construir um governo socialista dos trabalhadores que faça a reforma agrária, pare de pagar a dívida externa e governe para os trabalhadores”.

Ato de Curitiba surpreende Requião
Em Curitiba (PR), cerca de mil pessoas saíram às ruas contra a corrupção do governo e do Congresso e contra as reformas. O ato, convocado por Conlutas, Conlute e diversos sindicatos e entidades, reuniu manifestantes de todo o estado e contou com uma forte presença da juventude e das categorias em luta, como os funcionários dos Correios e os bancários.

A passeata percorreu as principais avenidas até o Palácio do Iguaçu, sede do governo estadual, depois de uma parada em frente a um piquete da greve de bancários. Para surpresa de todos, o governador Roberto Requião (PMDB) estava fazendo um discurso para membros da Federação dos Trabalhadores da Agricultura, entidade ligada à CUT e CONTAG. O ato da Conlutas seguiu até a frente do Palácio, interrompendo o discurso de Requião. Antes de fugir para seu gabinete, o governador, da base de apoio de Lula, fez uma fala provocativa, tentando criar um confronto entre os trabalhadores e os estudantes.

Requião chamou os estudantes de ‘vagabundos’ e ‘filhinhos de papai’ e estimulou os agricultores a agredirem e expulsarem os estudantes. O chamado à violência não teve muita adesão, a não ser por uns poucos dirigentes da federação. Os manifestantes passaram a cantar palavras de ordem pelo Fora Todos, colocando o governador como um dos responsáveis pela situação dos trabalhadores do país, sejam da cidade ou do campo.

* Colaboraram: Gilberto Marques (Rio de Janeiro), Bento José e Rosi Leny (Curitiba)

Dia 17 de outubro: mobilização latino-americana pela nacionalização do gás e do petróleo!

Ocorreu em La Paz (Bolívia), entre 12 e 14 de agosto, o “Encontro Continental pela Nacionalização dos Hidrocarbonetos na Bolívia, Contra as Privatizações e em Defesa da Soberania Nacional de Nossos Povos”. No Encontro, participaram 272 delegados de 15 países. O PSTU e a Conlutas estiveram presentes, assim como diversas organizações da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI).

O encontro convocou uma jornada internacional pela nacionalização para o dia 17 de outubro. Nesse dia, aniversário da derrubada do ex-presidente Lozada na Bolívia, estarão ocorrendo atos em diversas cidades latino-americanas. No Brasil, a jornada tem mais um eixo, que é o combate ao novo leilão dos poços de
petróleo, marcado pelo governo Lula.
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