Emannuel Oliveira, do ABC

O jornal Diário do Grande ABC do dia 21 de março traz alguns dados alarmantes sobre a contaminação dos trabalhadores das montadoras da região.

Segundo os dados oficias do governo, já foram contaminadas 11,8 milhões de pessoas de uma população de 212,7 milhões. A média em todo o país é de 5,4%. É evidente que esses números de contaminados são subnotificados, mas levando em consideração os números de contaminação dos trabalhadores nas montadoras da nossa região são de 19%, ou seja, três vezes mais do que a média nacional.

Segundo as empresas, os trabalhadores estão protegidos com testes de temperaturas, uso de álcool em gel, máscaras e protocolos de distanciamentos social. Mesmo assim a porcentagem de contaminados é muito superior.

O número de trabalhadores nas montadoras do ABC é de 30,5 mil operários entre as seguintes empresas: Volkswagen, Mercedes Benz, Scania, Toyota e General Motors. Segundo os dados já foram contaminados nessas empresas 4.405 trabalhadores com 10 óbitos.

Números por empresa de trabalhadores contaminados

Na Volks são 1560 contaminados de 8.500 trabalhadores (18,3%), com cincos mortos. Na Mercedes 1.447, dos 8.500 (17%) com 4 óbitos. Na Scania são 761 em 4.000 (19%) e 1 óbito. Na Toyota são 137 de 1.500 (9,1%). Na GM são 500 contaminados em 8.000 (6,25%).  A média de afastados por Covid-19 é de 10 trabalhadores por dia.

Observando os números acima fica evidente a tragédia em que estão vivendo os trabalhadores.

Em momento algum o governador João Doria (PSDB) e os prefeitos das cidades do ABC obrigaram as empresas a pararem a produção. Só agora diante da tragédia em que vive o país e a nossa região é que a Volkswagen e agora a Scania estão parando. Mas é importante dizer que a motivação é a falta de peças nas linhas de montagem, e não a preservação da vida dos trabalhadores.

Na Mercedes foi aberto um terceiro turno e a falta de peças é uma constante nas linhas de produção, na Scania foram contratados mais de mil trabalhadores esse ano.

A nossa região vive uma situação muito grave, o número de internações dobrou em relação a dezembro: era de 897 e hoje são mais de 1.800 pessoas.

A política genocida do Bolsonaro e o lockdown fake de Doria e dos prefeitos estão levando os trabalhadores a um verdadeiro genocídio.

Diante dessa situação, o sindicato tem que unificar as lutas pelo fora Bolsonaro e Mourão e chamar uma greve sanitária onde os trabalhadores possam ficar em casa e receber seus salários sem qualquer redução. Não é tarefa do sindicato propor redução de salários ainda mais no momento em que o desemprego está dentro da casa dos trabalhadores, todas as famílias tem um parente desempregado.

Não podemos ficar esperando a eleição no ano que vem. É hora de seguir o exemplo dos trabalhadores do Paraguai. É hora de todas as forças se unirem em uma unidade de ação e chamar uma greve sanitária pela vida e para colocar o genocida do Bolsonaro e Mourão para fora.