Trabalhadores da Vale param por quatro horas no Espírito Santo

Funcionários reivindicam reajuste e decretam estado permanente de assembléiaPelo menos 2.500 ferroviários da Companhia Vale do Rio Doce cruzaram os braços na manhã de 9 de outubro em protesto contra a proposta salarial apresentada pela mineradora. A paralisação ocorreu na Usina de Tubarão, no final da praia de Camburi, em Vitória.

A greve de advertência parou completamente os trabalhos da empresa naquela unidade das 6h às 10h. O movimento envolveu trabalhadores dos setores administrativos, pelotização, porto, oficinas e ferrovia, dos turnos das 6h, 7h, 9h, 11h30, 18h e 20h. Ao final da assembléia do turno das 9h, os trabalhadores seguiram em passeata até a portaria principal da empresa.

A manifestação faz parte da mobilização nacional organizada pelo grupo União & Luta em repúdio à contraproposta patronal. Manifestações semelhantes ocorrerão em outras bases onde o grupo União & Luta atua, como nas cidades mineiras de Inconfidentes e Itabira.

Reajuste ou greve
O grupo União & Luta responde por mais de 50% dos cerca de 35 mil empregados da Vale do Rio Doce em todo o país. Ele é formado pelos sindicatos dos ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais (Sindfer ES/MG); mineiros de Itabira (Metabase Itabira) e de Inconfidentes (Metabase de Inconfidentes); engenheiros do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Espírito Santo e Sergipe; administradores do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais; e secretárias do Rio de Janeiro.

Nas diversas assembléias realizadas ao longo da paralisação do dia 9, os trabalhadores rejeitaram maciçamente a contraproposta patronal. Foi decretado estado de assembléia permanente. Em casos como esses, o sindicato fica previamente autorizado pelos trabalhadores a deflagrar greve, que pode ser de duração específica ou por tempo indeterminado.

No último dia 3, a direção da empresa propôs aos dirigentes do União & Luta que o acordo salarial anual passasse a ser fechado a cada dois anos. Os sindicalistas não abrem mão da periodicidade anual para negociação do acordo salarial.

Eles reivindicam o piso nacional calculado pelo Dieese, de R$ 1.688,35; reajuste salarial de 5,94%; aumento real de salários; 55,62% de reajuste relativo à corrosão salarial desde 1997; negociação da Participação nos Lucros no acordo; e implementação de plano de cargos e salários, além de cesta alimentação de R$ 370,00 e reembolso material escolar de R$ 410,00.

A contraproposta da Vale prevê piso salarial de apenas R$ 750,00 e o mesmo valor reajustado em 2008; reajustes de 5% agora e o mesmo índice no ano que vem; abonos de R$ 600,00 neste ano e no próximo; 13 cestas alimentação anuais nos valores de R$ 150,00, em 2007, e de R$ 190,00, em 2008; e reembolso material escolar de R$ 240,00 (2007) e R$ 260,00 (2008).

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