Trabalhadores da Europa em guerra contra ataques

Os governos da Europa declararam guerra à classe trabalhadora. Depois de ter dado bilhões aos banqueiros, agora eles despejam os custos da crise sobre os ombros dos trabalhadores, o que vai produzir um rebaixamento histórico das condições de vida.
A resposta tem sido uma série de lutas contra as políticas dos “planos de austeridade”. A França tem estado na vanguarda nas últimas semanas.

Apesar das desigualdades, a classe trabalhadora e a juventude europeias mostram sua disposição para a luta, mas enfrentam um inimigo inevitável: a burocracia sindical, que tenta frear o avanço das mobilizações.

Até o momento, as cúpulas sindicais impediram uma resposta unificada da classe trabalhadora contra os ataques.

Mas os trabalhadores continuam em marcha contra os planos de austeridade. O caminho para derrotar os ataques dos capitalistas é a convocação de greves gerais por tempo indeterminado em cada um dos países, além do chamado a uma greve geral europeia que derrote os ataques dos governos, da União Europeia e do FMI.

França: movimento numa encruzilhada
Uma das maiores guerras entre governo e trabalhadores aconteceu no mês de outubro na França, contra a reforma da previdência. Manifestações tornaram-se quase cotidianas, dando impulso à resistência dos trabalhadores contra os planos de austeridade em toda a Europa, colocando na ordem do dia a possibilidade de derrotá-los.

Uma greve geral no dia 7 de setembro levou mais de dois milhões de manifestantes às ruas de várias cidades francesas. Nos dias seguintes, o movimento continuou crescendo e chegou a mobilizar 3,5 milhões de franceses no dia 19 de outubro. A jornada de lutas foi comparada às jornadas históricas de lutas de 1995 (contra as reformas trabalhistas do governo Juppé) e de 2003 (contra o aumento da idade de aposentadoria). Enquanto os protestos aumentavam, o governo Sarkozy ficava cada vez mais isolado. Apesar de ter conseguido aprovar no Legislativo a redução da idade mínima para a aposentadoria, Sarkozy sofreu um duro golpe em sua popularidade, chegando a 26% de aprovação. Pesquisas indicam que 70% da população apoia as manifestações.

No entanto, as cúpulas sindicais na França se negam a centralizar o movimento e lançar uma greve geral indefinida que reuniria todas as condições para conseguir a retirada da reforma da Previdência e derrubar Sarkozy. Em vez disso, chamam jornadas isoladas de 24 horas para se mostrarem “combativas”, ao mesmo tempo em que provocam o desgaste do movimento.

A capitulação dos sindicatos foi conduzida pelas direções do Partido Socialista e do Partido Comunista, interessadas no desfecho puramente eleitoral do conflito.
Os reflexos dessa política puderam ser vistos na jornada de protestos do último dia 28.

No total, segundo os sindicatos, foram realizadas 270 manifestações na sétima jornada de greve, que reuniram entre 560 mil e dois milhões de pessoas, segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior e os sindicatos, respectivamente. As cifras mostram uma queda nas mobilizações diante dos protestos anteriores.

No dia seguinte às manifestações, um novo sinal de esgotamento: os petroleiros que tinham ocupado as refinarias do país começaram pouco a pouco a desocupá-las, o que provocou a volta da normalidade no fornecimento de petróleo.

O protesto do dia 28 foi o primeiro após a aprovação da reforma na Assembleia Nacional. Mesmo com a aprovação, as principais centrais sindicais do país se recusaram a chamar uma greve geral que pudesse paralisar todas as atividades econômicas do país.

A verdade é que as cúpulas dos sindicatos, desde o primeiro momento, vêm trabalhando no sentido de evitar que as jornadas de lutas terminem em uma greve geral por tempo indeterminado.

Mas a situação ainda não está definida. A luta contra a reforma da previdência na França vive um momento crítico. O movimento ainda pode responder aos ataques por meio de uma greve geral total, que paralise por tempo indeterminado o país. Caso contrário, o descenso pode desembocar em uma derrota, cujas dimensões repercutirão por toda a Europa.

O destino da França segue oscilando entre essas duas alternativas. Os trabalhadores e a juventude do país já mostraram que podem fazer com que o movimento alcance um novo patamar, indo à greve geral por tempo indeterminado.

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