Trabalhadores da construçao civil de Fortaleza se desfiliam da CUT

O sindicato dos trabalhadores da construção civil realizou assembléia nesta quarta-feria, dia 29, aonde foi aprovada a desfiliação do sindicato da CUT, com mais de 300 votos a favor da desfiliação, 2 contra e 8 abstenções. Não por coincidência, os únicos votos contra foram de diretores ligados ao PT. O presidente da CUT no Ceará, Francisco De Assis, utilizou da palavra tanto na abertura quanto na defesa da permanência da filiação do sindicato à cental, chegou a perguntar como seriam as próximas campanhas salariais sem a ajuda CUT e se o sindicato da construção civil não iria mais precisar do apoio da CUT. A resposta veio de imediato da base, num forte grito de “NÃO“.

Por várias vezes a palavra de ordem “Eu, eu, eu, a CUT já morreu“ tomou conta da quadra do sindicato aonde se realizou a assembléia. A defesa da desfiliação foi feita pelos diretores Roberto (PCB) e Raimundão (PSTU). Em sua itervenção, Raimundão afirmou qua CUT mudou de lado junto com o governo Lula e que agora era um entrave à luta dos trabalhadores, sendo chegada a hora dos trabalhadores construirem um novo instumento para unificar as lutas, e que esse instrumento já existia, era a Coordenação Nacional de Lutas (CONLUTAS). Já De Assis, da CUT, utilizou de todo tipo de subterfúgio para desqualificar a assembléia e convencer os trabalhadores a não desfiliar, chegando a afirmar que a desfiliação era loucura do PSTU, que abandonava a CUT para ir para os braços do PFL em coligações eleitorais pelo país. A resposta veio logo em seguida numa votação esmagadora aonde era comum ver trabalhadores segurando a praguinha de Raimundão e Valdir, candidatos a vereador e prefeito do PSTU em Fortaleza.

O sindicato dos trabalhadores da construção civil de Fortaleza é o principal sindicato operário do Ceará, tendo sido determinante sua filiação à CUT para consolidar a central no estado. Sua desfiliação foi tomada como verdadeira festa pela categoria, que a muito já não via a central participar das greves na construção civil. Houve operários que chegaram a gritar a palavra “Liberdade!“ enquanto era feita a defesa da central. O dia 29 de setembro, com certeza, entra para a história do movimento operário no ceará.

Ao final da assembléia foi lida e votada por unanimidade uma moção de apoio e solidariedade à greve dos bancários.