Trabalhadores da construção civil cruzaram os braços na Replan

Manifestação em frente à Replan
Silvia Ferraro

O Dia Nacional de Luta contra as demissões começou quente na região de Campinas. Cerca de 5 mil trabalhadores diretos e terceirizados da Replan, a maior refinaria da Petrobras, em Paulínia (SP) começaram a se reunir para uma manifestação a partir das 6h30. Os ônibus fretados para trazer os operários chegavam e eram barrados pelo piquete.

Os trabalhadores desciam e, aos poucos, a manifestação era formada. Os petroleiros, que haviam encerrado uma greve de cinco dias, na sexta-feira, contra o corte de horas-extras nos feriados e o rebaixamento da PLR, davam continuidade à sua luta. Os terceirizados iniciavam sua campanha salarial.

No ato, estavam presentes representantes da Conlutas, do Sindipetro Unificado de São Paulo e do Sindicato da Construção Civil. O representante da Conlutas e petroleiro Marcos Margarido destacou a importância do Dia Nacional de Lutas para barrar as demissões e o corte de direitos e ressaltou a luta dos mais de 4 mil metalúrgicos da Embraer, demitidos pela empresa enquanto esse recebia R$ 600 milhões de ajuda do BNDES. Por fim, chamou todos os trabalhadores a exigir de Lula uma Medida Provisória de estabilidade no emprego e a lutarem pela reestatização da Embraer e por uma Petrobras 100% nacional.

Danilo, coordenador regional do Sindicato dos Petroleiros, reafirmou a solidariedade na luta entre trabalhadores diretos e contratados e disse que, apesar de a maioria dos presentes ter votado em Lula, suas ações frente à crise econômica lembravam os tempos do tucanato de FHC e que, ao emprestar R$ 600 milhões à Embraer, estava, na verdade, financiando a demissão dos trabalhadores. ele concluiu defendendo o apoio ativo dos petroleiros diretos aos terceirizados em sua campanha salarial.

Por fim, Hamilton, diretor do Sindicato da Construção Civil, disse que a solidariedade das duas categorias era fundamental para a vitória dos trabalhadores e que a unificação das datas-base tornaria a luta muito mais forte. Criticou Lula por ter afirmado que não era hora de pedir aumento de salário e disse que agora era a hora, pois estavam em campanha salarial.

A manifestação terminou com a aprovação de uma moção exigindo a readmissão dos trabalhadores da Embraer. Também foi aprovada uma greve de 24 horas da construção civil. A categoria votou em massa pela realização da greve, com gritos de comemoração. Os patrões que se cuidem.