Todo apoio à greve dos rodoviários de Fortaleza

Greve começou nesse dia 19 de junho

Trabalhadores rodoviários cruzaram os braços no último dia 19 por reajuste e melhores condições de trabalhoOs rodoviários de Fortaleza aprovaram, em assembleia geral na última terça-feira (19/6), em greve por tempo indeterminado. Nos últimos 15 anos o salário dos rodoviários foi duramente achatado. Além disso, a jornada de trabalho exaustiva leva todos os anos ao adoecimento dos trabalhadores. Essas são as verdadeiras causas da greve.

Quem são os verdadeiros responsáveis pela greve?
A situação do transporte público em Fortaleza é marcada pelo caos todos os dias. Ônibus superlotados, engarrafamentos, falta de banheiros nos terminais, passagem cara e poucos ônibus em circulação são a demonstração de que não precisa ter greve para o povo trabalhador sofrer.

Os empresários são os primeiros culpados pela atual situação do transporte público. A ganância dos patrões é responsável pelos baixos salários e péssimas condições de trabalho, e por outro lado não investem em novos ônibus e melhorias no sistema. Aos empresários só interessa manter seus grandes lucros à custa dos rodoviários e do povo trabalhados que necessita do transporte público.

Muito para os patrões, nada aos trabalhadores
A prefeita Luizianne Lins (PT) é a responsável pela concessão do transporte público de Fortaleza aos empresários e como tal deve ser a primeira responsabilizada. O que vimos nos oito anos do mandato da prefeita foi a ampliação de isenções para os empresários, e o coroamento dessa política se realiza no momento da greve. Por iniciativa da prefeita Luizianne, a Câmara aprovou mais isenção para os patrões, o ISS (Imposto Sobre Serviço) que já era baixo (2,0%) foi praticamente zerado, passando para míseros 0,01%. Calcula-se que com o antigo ISS (2,0%) os patrões tinham uma economia de R$ 2 milhões por mês. Esse dinheiro poderia ser investido para terminar o metrô ou ser investido em melhorias na saúde, educação e saneamento básico.

Hoje, os empresários recebem incentivos na compra do combustível, na taxa de vistoria e outros tributos. A população precisa saber que, na prática, os empresários recebem tantas isenções que na atual situação o povo paga duas vezes. Paga a passagem para andar no transporte e depois, com os nossos impostos recolhidos, paga mais uma vez. Com tantos incentivos e isenções o que a prefeita Luizianne Lins cobra dos patrões? O que os patrões estão fazendo para melhorar o transporte? Quantas empresas foram multadas pela prefeita pelos péssimos serviços prestados ao fortalezense?

Porque a Prefeita e Sindiônibus atacam o PSTU?
A prefeita Luizianne Lins, que tem sua trajetória política marcada pela militância petista nos movimentos sociais, formou uma santa aliança com o Sindiônibus (sindicato patronal) para atacar o PSTU e o movimento grevista.

Fica claro que Luizianne – após 8 anos à frente da Prefeitura – esqueceu como funciona a dinâmica do movimento dos trabalhadores. A greve que acompanhamos nesse momento em Fortaleza foi construída democraticamente pelos trabalhadores, e todas as decisões são tomadas em assembléia.

Fica claro que Luizianne, após 8 anos à frente da Prefeitura, esqueceu de que lado deve estar um partido de esquerda quando a classe trabalhadora vai à luta. O PT, que já apoiou tantas greves, hoje prefere o apoio do Sindiônibus em Fortaleza e de Paulo Malluf em São Paulo, ao invés de apoiar a luta dos trabalhadores.

Por sua vez o senhor Dimas Barreira, presidente do Sindiônibus, ataca a nova diretoria do Sintro (Sindicato dos trabalhadores rodoviários) por não ser como a antiga, que assinava qualquer acordo e depois fechava o sindicato e deixava o trabalhador sem aumento real e sem direitos.

Na ânsia de atacar o movimento dos rodoviários, Luizianne Lins e Dimas Barreira se juntam para dizer que a greve é política. Ora, todo movimento social é também político. A greve é um direito dos trabalhadores e é sua arma política em defesa dos seus direitos e reivindicações.

O PSTU se orgulha de ter entre seus quadros trabalhadores rodoviários, bancários, professores, operários da construção civil, metalúrgicos, da confecção, petroleiros, servidores públicos e demais categorias. E não temos dúvida de estarmos do lado dos trabalhadores em suas lutas e na defesa dos seus direitos.

Prefeita Luizianne, é hora de ouvir os trabalhadores
Luizianne Lins tem se reunido sistematicamente com os empresários. Para os patrões tem sido feito tudo, para os trabalhadores até agora nenhuma reunião para saber das suas reivindicações.

Para o PSTU, a saída da greve está nas mãos da prefeita. Luizianne Lins governa a cidade e pode postular junto ao Sindiônibus uma proposta que garanta aos trabalhadores dignidade e a recomposição do poder de compra.

Além disso, é necessário que Luizianne tome algumas medidas para melhorar o transporte público imediatamente. Para isso propomos à prefeita:

Em primeiro lugar é preciso abrir os livros contábeis dos empresários e demonstrar a verdadeira situação econômica das empresas. Em segundo lugar, a prefeitura deve ser responsável por fiscalizar o cumprimento do acordo coletivo e o melhoramento da frota de ônibus. Descumprindo o acordo, as empresas devem ser multadas. Em terceiro, a prefeita deve revogar as isenções e incentivos fiscais aos empresários. Esse dinheiro deve ser revertido para construção do metrô.

Em quarto, é necessário o congelamento do preço das tarifas e após a abertura dos livros contábeis uma nova tarifa social deve ser construída para a cidade de Fortaleza. Por fim todas as empresas que se negarem a cumprir tais exigências ou serem reincidentes nas multas devem ser municipalizadas.

Todo apoio à luta dos rodoviários de Fortaleza

Direção Municipal do PSTU, 21 de junho de 2012