Testemunho de um sindicalista sobre a greve no Litoral Paulista

Atenágoras Lopes, da direção nacional da Conlutas, relatou sua experiência na greve petroleira no litoral paulista. No relato, o sindicalista destaca a participação dos jovens petroleiros no movimento.

“Estive presente na Baixada Santista como representante da Conlutas e pude perceber a força da mobilização grevista. Na refinaria RPBC [Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão], a greve começou na tarde do dia 22 de março, antes de todo o Brasil.

No litoral, os dias depois do início do movimento contaram com a forte adesão dos terminais de Alemoa e Pilões, da unidade de São Sebastião e de uma parte dos petroleiros administrativos de Santos.

Na refinaria e nos terminais, todos os dias havia reuniões com os petroleiros para serem passados informes das negociações e sobre o quadro nacional da mobilização. Nos prédios do centro, onde estão concentrados os planos de expansão e toda a gerência da Bacia de Santos (o pré-sal), foram feitos piquetes nos dois primeiros dias de greve e, no terceiro dia, um grande piquete marcou a mobilização em um dos prédios.

Neste dia, jovens petroleiros, conhecidos como ‘borrachos’, aposentados e apoiadores (como o Sindicato dos Bancários) garantiram que nenhum fura-greve entrasse para trabalhar durante boa parte da manhã. Os grevistas tiveram que enfrentar a pressão da polícia e da Gerência Geral da Petrobras.

Em conversa com os diretores do sindicato e com alguns ‘borrachos’, percebi que existe uma nova camada de ativistas na categoria. Estes petroleiros têm tido um papel importante na organização da categoria.

A assembleia do dia 27, que decidiu pela suspensão do movimento, contou com cerca de 500 pessoas. Mas no litoral, como em muitas bases onde houver punições, o movimento será reativado.”

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