Terceirizados da Revap decidem pela continuidade da greve

Trabalhadores decidem na segunda-feira se aceitam decisão do TRT de Campinas que determinou o retorno ao trabalhoOs cerca de 12 mil trabalhadores terceirizados da Revap aprovaram, na manhã desta sexta-feira, dia 6 de junho, por unanimidade, a continuidade da greve até segunda-feira, dia 9. Com isso, a paralisação entrou no seu 22º dia nesta sexta.

Ontem, o TRT considerou a greve abusiva e determinou o retorno imediato ao trabalho, fixando uma multa diária de R$ 5.000 caso as atividades não fossem retomadas hoje.

No julgamento desta quinta-feira, os juízes acataram parte da proposta que foi feita na semana passada, durante audiência de conciliação. Assim, determinaram um reajuste salarial de 10% para os trabalhadores, estabilidade de 90 dias e R$ 1.500 de PLR (Participação nos Lucros e Resultados), pagos em duas parcelas, em novembro e maio.

As horas-extras foram fixadas em 70%, de segunda a sábado, e 100%, aos domingos e feriados. O TRT também determinou o reembolso de passagem a cada 120 dias para trabalhadores que moram a mais de 200km de distância da Revap.

No entanto, dois pontos de conflito continuaram inalterados. O primeiro deles é que o TRT rejeitou o pedido de ajuda de custo e auxílio-alimentação de R$ 200. E, o que é pior: determinou o pagamento de apenas três dias parados, sendo que os 18 dias restantes deverão ser descontados dos salários ou compensados pelos trabalhadores, que reivindicam o pagamento da totalidade dos dias parados.

É por causa dos pontos não atendidos que a categoria resolveu continuar de braços cruzados.

“Abusiva é a postura das empresas que estão enrolando os trabalhadores desde o mês de março, quando foi entregue a pauta, e mantêm condições de trabalho irregulares. A Justiça ignorou esta realidade. Para os trabalhadores, a greve é mais do que justa e, por isso, decidiram continuar”, afirma o coordenador regional da Conlutas, José Donizete de Almeida.

E, para contrariedade dos patrões e de toda a burguesia que tentam atacar o movimento, a greve continua firme. Nesta sexta, numa manhã fria e de muita neblina, os trabalhadores participaram ativamente da assembléia e, por unanimidade, decidiram a continuidade da mobilização. Dia após dia, os companheiros têm dado inequívocas demonstrações de grande unidade e disposição de luta.