Terceirizadas da Revap apelam para força policial e demissões

Hoje, outros mil trabalhadores foram demitidosApós ter usado de força policial e violência contra os trabalhadores, a Ecovap, uma das empresas responsáveis pelas obras de ampliação da Revap (Refinaria Henrique Lage), em São José dos Campos (SP), demitiu hoje, de forma arbitrária, mais cerca de mil trabalhadores.

Em protesto contra as demissões e toda a violência a qual os trabalhadores estão sendo submetidos, um ato acontece hoje, por volta das 11h30, na Praça Afonso Pena.

Além disso, toda a situação de coação dos trabalhadores será denunciada à OIT (Organização Internacional do Trabalho) e ao Ministério Público. A Comissão dos Trabalhadores também vai exigir que a comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa faça uma averiguação do caso.

A demissão ocorre um dia após as empreiteiras, sob o comando e conivência da Petrobras, orquestrarem um grande ato de violência contra os trabalhadores.

Como forma de retaliação pela mobilização dos operários, que paralisaram ontem em protesto à demissão em massa das lideranças da última greve, as empresas suspenderam os ônibus que levariam os trabalhadores para casa, às 17h30.

Sem saber o que estava acontecendo, os trabalhadores foram obrigados a continuar na empresa após o horário do expediente. O que os trabalhadores não sabiam era que a falta de ônibus era uma grande armadilha das empresas contra o movimento.

Por volta das 18h30, dezenas de policiais militares da Força Tática, armados, invadiram a refinaria de forma arbitrária, usando bombas de efeito moral, balas de borracha e gás pimenta.

“Os trabalhadores foram encurralados de tal forma que, por um momento, achamos que poderia ocorrer um massacre. Dois trabalhadores ficaram feridos no confronto e estamos indignados com a postura anti-sindical e antidemocrática da empresa”, disse o coordenador regional da Conlutas, José Donizete de Almeida.

Segundo ele, a versão da Revap de que não sabia o que estava acontecendo não é verdadeira e só demonstra sua postura arbitrária.

“A refinaria foi comunicada sobre a greve, ontem, logo pela manhã. Ela não pode alegar que desconhecia o que estava acontecendo, sendo que a Polícia Militar entrou na refinaria sem ordem judicial. Claro que foi com a conivência dela (Revap)”, disse Donizete.

Após essa seqüência de acontecimentos, os trabalhadores decidiram manter a paralisação até que todos os trabalhadores sejam readmitidos.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a Conlutas apóiam integralmente mais esse movimento dos trabalhadores e lamentam essa atitude arbitrária das empreiteiras e da Petrobras que é um ataque à organização dos trabalhadores.

Descumprimento de acordo
A demissão dos membros da Comissão e de cerca de mil trabalhadores é um claro descumprimento de uma das cláusulas do acordo, firmado entre trabalhadores e empresas, que colocou fim à greve de 31 dias.

O acordo estabelecia, entre outros pontos, que não haveria nenhum tipo de retaliação aos trabalhadores e ainda garantia a estabilidade de emprego por 90 dias.

Também é lamentável a atuação do Sindicato da Construção Civil, filiado à CUT, que mais uma vez não está assumindo seu papel de defender a própria categoria e ainda não tomou nenhuma atitude em favor dos trabalhadores demitidos.