Sobre sonhos de ano novo

Fim de ano, em geral, nos leva a refletir sobre o período que se passou e a pensar nos planos para o ano que chega. Nem sempre temos boas lembranças, nem sempre temos planos claros. Mas sempre sonhamos.

Há quase quatro anos, a posse do primeiro governo Lula foi uma festa popular. Em janeiro próximo, Lula assumirá seu segundo mandato, e seguramente haverá uma nova festa. Mas nada comparado com 2003.

Não estarão presentes no imaginário popular os sonhos de grandes mudanças no país. Muitas dessas esperanças perderam o brilho, morreram de inanição ou de “morte matada” nos quatro anos que se passaram.

Lula já não está na consciência do povo como o mito, o lutador que se impõe contra os poderosos. Agora, é parte do que está aí, porque “todo mundo rouba”. E, como nada vai mudar mesmo, é melhor mantê-lo no governo, porque “veio do povo”.
Não existirão grandes festas populares. Certamente algumas poucas, pagas a peso de ouro com artistas populares para atrair o público.

Mas os sonhos serão bem menores. Nada de grandes mudanças, apenas pequenas reivindicações, quem sabe manter as poucas coisas que se conseguiu, quem sabe alguma coisa a mais. Nada muito além da reforma da casa, do brinquedo para o filho, do pagamento de uma dívida.

O povo simples vai para as festas de fim de ano ainda iludido com Lula, mas já sem grandes sonhos. Mal sabe que, na outra ponta da sociedade, entre os que têm muito dinheiro, nas rodas do grande capital, existem grandes sonhos e planos perversos.
Os grandes empresários e banqueiros não estão pensando pequeno para o segundo mandato de Lula. Para eles trata-se de avançar um degrau na competição internacional dos seus produtos, barateando ainda mais a mão de obra no Brasil. Não estão satisfeitos com seus lucros fantásticos e já elegeram os novos “inimigos públicos” que serão atacados pela Globo e pelos jornais: o déficit da Previdência e os “altos custos da mão-de-obra”. O Brasil “vai seguir crescendo pouco se não avançar para as reformas”, dirão. A reforma trabalhista e a da Previdência são seus sonhos e planos, juntos com o governo Lula.

Passadas as festas de fim de ano, será a hora de ver o verdadeiro significado do “ano novo, vida nova”. Para que os sonhos dos grandes empresários se concretizem, será necessário acabar com os outros sonhos da maioria dos trabalhadores do país.

Será o momento de ver como reagem os trabalhadores ao verem seus sonhos e mitos começarem a desabar um a um. E terem de sair à luta para defender suas pequenas aspirações. E terem de recriar outros sonhos.

Nós do PSTU, com a Conlutas, queremos estar juntos dos trabalhadores, nas lutas e sonhos de ano novo.
Post author Editorial do Opinião Socialista 285
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