Sobre brigas e acordos

A campanha eleitoral está se polarizando em nível nacional entre candidaturas do PT e do PSDB, ou do PFL, PMDB etc.

À primeira vista, existe uma pancadaria enorme, com trocas de acusações de baixo nível, que aumentam com a reta final de campanha. No entanto, existe um grande acordo por trás da aparente polarização. Tanto o PT como a oposição de direita concordam em essência em muito mais coisas do que aparentam na campanha eleitoral. Esta briga lembra muito as antigas do “tele catch”, em que lutadores aparentavam se enfrentar, mas na verdade era tudo marmelada.

Os partidos majoritários concordam, em primeiro lugar, com a política econômica do governo Lula, que é a mesma de FHC. Ou seja, estes partidos já estiveram (PSDB, PFL, PMDB) ou estão (PT, PCdoB, e de novo o PMDB) diretamente envolvidos na aplicação da política neoliberal, receitada pelo FMI.

Este acordo é muito importante, porque determina rigidamente que a situação social dos trabalhadores e dos jovens deste país só tende a piorar, que não haverá dinheiro para investimentos em educação e saúde. Que o atual crescimento econômico só beneficia os banqueiros, grandes industriais e latifundiários, e o desemprego vai continuar alto. Que os salários só vão aumentar caso os trabalhadores lutem e derrotem os patrões e o governo.

Mas os partidos majoritários têm também um outro acordo: esconder esta realidade do povo, e transformar a campanha eleitoral em uma enorme fraude. O que está se fazendo no país é mais uma demonstração da farsa que é a democracia burguesa. Os distintos candidatos fazem aparições na TV, em programas que transformam a dura realidade brasileira em um comercial da Globo, para mostrar que basta votar neles, e a vida vai mudar, vai haver saúde, educação e segurança.

Todos eles sabem que nada vai mudar, porque a política econômica segue, porque não vai haver dinheiro para investir na saúde e educação porque “é preciso pagar a dívida e manter os superávits fiscais” etc. Mas nenhum deles fala disso. E conseguem assim enganar a maioria do povo.

A falsa polarização entre estes partidos busca esconder que esta eleição não muda nada, que a miséria vai continuar igual depois de 3 de outubro. A realidade suja, feia e doente do povo brasileiro não tem espaço na campanha eleitoral do PT e da oposição de direita.

O PSTU apresenta suas candidaturas, de norte a sul do país, para lutar contra esta corrente. No pouco tempo de TV que temos, denunciamos a farsa destas eleições, a política econômica do FMI apoiada pelo PT e a oposição de direita, e apoiamos as mobilizações dos trabalhadores.

Some-se a esta luta.

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