Sobre a Assembléia Popular

A crise política está levando parcelas inteiras da classe trabalhadora a romper com o governo Lula. Em todo o país, vários ativistas, sindicatos e entidades estudantis estão abandonando as suas ilusões no PT, na CUT e na UNE governista. Muitos já deixaram essas entidades para trás e buscam construir novas alternativas de lutas para a juventude e os trabalhadores. Nesse processo, a Conlutas vem ocupando um papel cada vez mais preponderante, organizando encontros, ganhando adesões de sindicatos que rompem com a CUT, e organizando protestos contra o governo. A marcha da Conlutas, realizada no dia 17 em Brasília, teve mais do que o dobro de pessoas que o ato chapa-branca da CUT e da UNE.

Na busca por novas alternativas, companheiros ligados ao P-SOL, junto com a esquerda cutista, estão propondo a realização de uma Assembléia Popular a ser realizada no fim de setembro em São Paulo. Existem duas confusões a serem desfeitas ao redor desse tema. A primeira é a de nomes: Assembléia Popular também é o nome de uma iniciativa dos setores da Igreja e da campanha da Alca, que vai se reunir em outubro, e que nada tem a ver com essa outra “Assembléia Popular”.

A segunda confusão é feita por aqueles que defendem essa proposta em nome da “unidade” dos que se opõem à direção da CUT, o que incluiria, nessa Assembléia, setores que estão na Conlutas e a ala esquerda da CUT.

A construção de novas alternativas está acontecendo por fora da CUT. Não é verdade que, para lutar pela unidade dos trabalhadores, tanto faz estar dentro ou fora da central. Caso não se construa uma alternativa à CUT, as lutas vão se dar isoladas e condenadas à derrota. Para unificar as lutas dos trabalhadores, é preciso romper com o braço do governo no movimento sindical. Não é por acaso que não existe exemplo de luta unificada hoje promovida pela CUT, seja por sua direção, seja por sua ala esquerda.

É por isso que a Conlutas vem se afirmando em todo o país como um pólo unitário de lutas, reunindo em seu interior cerca de 180 sindicatos e vários movimentos sociais. Infelizmente, os companheiros da esquerda da CUT estão na contramão desse processo. Atacam a Conlutas para defender que seus sindicatos continuem na CUT, inclusive se aliando com a Articulação em algumas eleições sindicais de importância, como o caso de bancários em São Paulo. Há, evidentemente, companheiros da esquerda cutista que são lutadores honestos, e devem sair de lá o mais rápido possível, pois sua permanência só serve para legitimar a política dessa central.

A necessidade da unidade manifesta-se, em primeiro lugar, nas lutas, mas a esquerda da CUT tenta impedir todas as lutas contra o governo que se dão por fora da central. Sabotaram todas as mobilizações organizadas pela Conlutas, como a marcha do dia 16 de junho do ano passado e a de 17 de agosto deste ano. O discurso da “unidade” aqui se desfaz com toda a clareza.

Uma vez que ficou insustentável a defesa que esses setores faziam da CUT, levantam a proposta da “Assembléia Popular” para unir todos de “dentro e de fora da CUT”. Unir para fazer o quê? A resposta é simples: unir os que ainda se opõem à construção da Conlutas, para evitar o surgimento de uma alternativa à CUT, para que assim eles sigam dentro dela.

Por esse motivo, nós, do PSTU, não iremos participar dessa Assembléia. Sabemos que há um longo caminho para fortalecer a Conlutas. Queremos que os setores da esquerda, que ainda não estão na Conlutas, rompam com a CUT e venham somar-se à construção desta alternativa, que, hoje, já é muito mais ampla do que a proposta da Assembléia Popular.

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