Severino: a cara e a alma do Congresso

Severino Cavalcanti, maior símbolo da corrupção do Congresso de picaretas, defendeu a não cassação dos deputados envolvidos no escândalo do caixa dois de campanhas eleitorais. Para ele, a punição deveria se limitar a uma “censura pública”. Quanto aos deputados acusados de receber o mensalão, Severino, que nem sequer reconhece a existência do próprio mensalão, acha que eles não devem ser punidos por “falta de provas”.

As declarações tiveram um efeito bombástico. Vários parlamentares proferiram veementes protestos. Fernando Gabeira (PV-RJ) ameaçou até criar um movimento para derrubar Severino caso ele “não fique calado”. E esse é justamente o maior problema enfrentado pelos congressistas hoje. Ao abrir a boca, Severino tão-somente revelou o que está sendo tramado nos podres bastidores da democracia dos ricos e corruptos.
Corrupto, ignorante e defensor de fazendeiros que utilizam mão-de-obra escrava, Severino é a alma e a cara do Congresso. Pegando carona no clima de acordão, tentou livrar da cassação alguns deputados da sua base política, tão corruptos quanto ele. Recentemente, o deputado José Janene (PP-PR), um dos operadores do mensalão, e do partido de Severino, disse que, se fosse cassado, revelaria os trambiques do presidente da Câmara.

Não precisou. A imprensa revelou o “mensalinho” de R$ 10 mil que Severino recebia do dono de um restaurante do Congresso. A denúncia detonou o pedido de afastamento de Severino da presidência da Câmara pela oposição burguesa. O objetivo seria substituí-lo por um nome mais “confiável” que possa garantir a cassação de um restrito número de deputados e pôr fim à crise. Se Severino sair, quem assumiria seria José Thomas “Nono” (PFL), atual vice-presidente da Câmara, de confiança da oposição burguesa.

Nunca é tarde para lembrar que Severino foi eleito presidente da Câmara graças ao apoio de PSDB e PFL, que queriam impor uma derrota ao governo. Aliás, a maioria dos cargos da mesa diretora da Câmara está com esses partidos. Severino era parte da oposição burguesa ao governo Lula, mas, depois que ganhou um ministério, passou de malas para o campo governista. Cabe ao PT agora o repugnante papel de defender Severino e conceder-lhe honrarias e medalhas.

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