Segundo semestre tem categorias de peso em campanha salarial

Bancários do Banpará estão parados desde o dia 4

Bancários já definiram indicativo de greve nacional para 18 de setembroApós a forte greve dos servidores públicos federais, importantes categorias do setor público e privado começam a se mover e prometem um segundo semestre bastante agitado. Bancários, petroleiros, metalúrgicos, operários da construção civil e os trabalhadores dos Correios estão começando agora suas campanhas salariais e já mostram grande disposição de luta.

Greve dia 18
Bancários de todo o país já definiram indicativo de greve para o próximo dia 18, após a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) ter se mantido intransigente na reunião de negociação que ocorreu no dia 3 de setembro. Esse dia foi marcado por mobilizações da categoria. Em São Paulo, os funcionários do Banco do Brasil e o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), filiado à CSP-Conlutas, participaram de um protesto que parou por uma hora o Complexo São João, maior prédio do banco na cidade, com 1800 bancários.

Os bancários do Banco do Brasil reivindicam reposição das perdas salariais; carga horária de seis horas para todos, sem redução de salário; isonomia entre os concursados pré e pós ano de 1998, entre outras reivindicações.

Segundo o membro do MNOB, Bento José, a direção do Sindicato de dos Bancários de São Paulo e a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) não defendem como prioridade as reais necessidades dos bancários. “Eles não tomam como prioridade tratar de pontos estruturais e igualmente importantes para nós, como seis horas para todos, sem redução de salários, e a questão da isonomia entre novos e antigos funcionários, pois essa é uma reivindicação principalmente dos bancos públicos e leva a mobilização. Para eles, não é interessante enfrentar o governo”, justifica Bento.

A prioridade do MNOB na campanha salarial é a luta pela jornada de seis horas sem redução nos salários, isonomia para todos (mesmo direitos para antigos, novos e bancários de bancos incorporados, reposição das perdas salariais e ratificação da convenção 158 da OIT, que proíbe a demissão imotivada). Já houve quatro rodadas de negociação, mas a proposta de apenas 6%, apresentada pela Fenaban, foi recusada.

Já os bancários do Banpará, banco do Estado do Pará, estão em greve desde o dia 4. O banco conta com 1,3 mil funcionários e a paralisação atinge a capital Belém e as agências do interior.

Petroleiros
Os petroleiros também estão batendo de frente com a intransigência da empresa. Na categoria, as negociações ocorrem via FUP (Federação Única dos Petroleiros, ligada à CUT) e FNP (Federação Nacional dos Petroleiros, que conta com a participação da CSP-Conlutas). Enquanto a FUP aceita as condições impostas pela Petrobras, de não negociar as cláusulas sociais, mas apenas as econômicas no acordo coletivo de trabalho, a FNP não aceita qualquer limitação pré-estabelecida pela estatal.

Após muita pressão, a Petrobrás finalmente aceitou realizar uma reunião com a FNP no último dia 5, no Rio de Janeiro. Porém, o encontro terminou em impasse. Além de colocar a limitação das cláusulas sociais, a empresa não avançou na reivindicação dos petroleiros.

Baseados na pauta histórica aprovada pela categoria, os dirigentes reivindicam o ICV-DIEESE (Índice de Custo de Vida) e 10% de ganho real, o que totaliza 16% – incorporada ao salário básico da categoria. Outro ponto importante da reunião foi a cobrança dos dirigentes da FNP para que a proposta da companhia seja entregue para as duas federações no mesmo dia, sem privilégios. A reivindicação não é à toa. Na última campanha de PLR, um episódio lamentável indignou não apenas os dirigentes, mas uma parcela significativa dos trabalhadores representados pela FNP. Na época, a empresa entregou a proposta antecipadamente à FUP, que divulgou para toda a categoria, enquanto a companhia não havia sequer se reunido com a FNP. Agindo dessa forma, o RH assume publicamente o seu atrelamento com a FUP. A FNP exigiu que esse episódio não se repita.

Nova rodada de negociação acontece nos dias 13 e 14 de setembro. Durante os dois dias, a FNP vai apresentar a pauta de reivindicações e os eixos da campanha, baseado nas reivindicações dos petroleiros.

CSP-Conlutas defende unificação
Na reunião ampliada da Secretaria Executiva Nacional, realizada no dia 5 de setembro, a CSP-Conlutas aprovou empreender esforços pela unificação das campanhas salariais em curso no país. Nisto está a busca por um calendário comum de atos conjuntos das categorias em luta, com o indicativo dos dias 18 e 19 de setembro.

*Com informações da CSP-Conlutas