“Se o Brasil cresceu, trabalhador quer o seu!”

Dilma, é hora de dividir o bolo!Foi sob esse lema que, nos dias 5, 6 e 7 de agosto, aconteceu, em Belo Horizonte, no auditório do Sindicato dos Telefônicos de Minas Gerais, a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas. A reunião da Coordenação Nacional avançou na organização das campanhas salariais e da Jornada Nacional de Lutas, de 17 a 26 de agosto. O evento contou com a presença de 197 credenciados, sendo 90 representantes de entidades e movimentos (com direito a voto), e 107 observadores. Estavam representados 40 entidades sindicais, 21 minorias de diretorias ou oposições sindicais, 7 movimentos populares, 3 movimentos de luta contra as opressões e 3 entidades estudantis.

Além dos representantes das entidades e movimentos filiados à Central, a reunião contou com a importante presença de uma delegação da direção da FENASPS (Federação Nacional dos Sindicatos dos Servidores do Ramo da Seguridade Social), que aprovou, em sua última Plenária Nacional, participar como observadora nesta reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas.

A primeira discussão foi sobre a conjuntura nacional e internacional e as atividades da Central no próximo período. O debate aconteceu em meio à intensificação da crise econômica internacional e das políticas de ajustes dos governos burgueses que querem mais uma vez jogar nas costas dos trabalhadores o preço da crise do sistema capitalista.

Ainda na tarde do primeiro dia, foi discutida a convocação do I Congresso Nacional da CSP-Conlutas, que ficou marcado para o período de 27 de abril a 1º de maio de 2012, na grande São Paulo, encerrado com a realização de um ato nacional da Central, no Dia Internacional do Trabalhador.

O segundo dia foi dedicado à discussão sobre a importância da intervenção da central nas lutas contra o racismo, o machismo e a homofobia e na organização dos movimentos de luta contra as opressões (leia na página 13), além das reuniões dos setoriais. No domingo, foram definidas as resoluções.

Unir as lutas e as campanhas salariais
Enquanto os trabalhadores sofrem com esta política econômica, o governo Dilma acaba de anunciar mais um pacote de isenções fiscais e novos investimentos para os grandes empresários, que significarão uma renúncia fiscal de R$ 25 bilhões, além de desviar mais recursos da Previdência.

Neste ano, os juros e as amortizações da dívida pública consumirão cerca de 900 bilhões de reais, ou seja, 49% de todo o orçamento do país. Enquanto os banqueiros seguem enriquecendo, Dilma começou seu governo cortando R$ 50 bilhões do orçamento, atingindo principalmente as áreas sociais. A reunião da Coordenação Nacional reafirmou seu compromisso com o não pagamento da dívida e a organização da campanha exigindo do governo a aplicação imediata de 10% do PIB para a educação pública.
No segundo semestre, vão acontecer às campanhas salariais de importantes categorias, como metalúrgicos, petroleiros, bancários, trabalhadores dos correios, do processamento de dados, da construção civil do Pará, entre outras. Da mesma forma, segue a campanha salarial unificada dos servidores públicos federais, com destaque para a continuidade da forte greve nacional dos trabalhadores das Universidades Públicas, organizados pela Fasubra, e para o indicativo de greve definido pelo Andes e pelo Sinasefe.

As entidades e movimentos da CSP-Conlutas atuarão nestas campanhas salariais para ampliar, fortalecer e unificar as lutas, buscando avançar no direito da classe trabalhadora em se organizar sindical e politicamente nos locais de trabalho.
A Central vai discutir com os trabalhadores que a culpa do arrocho salarial, do crescimento da inflação, do aumento da exploração, dos acidentes e do ritmo de trabalho é da política econômica do governo. Para simbolizar esta política, a reunião definiu o lema: “Se o Brasil cresceu, trabalhador quer o seu. Dilma é hora de dividir o bolo!”

Nas campanhas salariais, os ativistas da Central denunciarão também a retomada da política de privatizações do governo (especialmente a privatizações dos aeroportos, transportes), e vão lutar contra a nova licitação das reservas de petróleo e a Medida Provisória 532, que visa avançar na privatização dos Correios.
A campanha “O minério tem que ser nosso”, também será muito importante para a Central. Vamos exigir a reestatização das empresas de mineração e a taxação de 10% dos lucros das mineradoras que exploram o nosso solo.

Avança a organização da Jornada Nacional de Lutas
Como parte da intervenção nas campanhas salariais e nas lutas do segundo semestre, a Central discutiu as atividades da Jornada Nacional de Lutas. A jornada é convocada pela própria CSP-Conlutas, além das principais entidades nacionais dos servidores públicos federais, pela Cobap, pelo MST, MTST, MTL, Intersindical, Anel, entre outras entidades e movimentos.

A CSP-Conlutas chamará as demais centrais sindicais para que abandonem o apoio incondicional ao governo Dilma e para que se juntem à organização da mobilização independente. Somente com a mobilização unificada dos trabalhadores vamos conseguir derrotar a atual política econômica e arrancar nossas reivindicações, como a redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, e o fim do fator previdenciário.

As entidades e movimentos da CSP-Conlutas intensificarão, nas próximas semanas, a convocação das atividades da Jornada, tanto na base das categorias e movimentos, quanto através de manifestações nos estados e regiões, e na organização das delegações para o ato nacional em Brasília, no dia 24 de agosto. Em todos os estados que a central tem organização acontecerão manifestações locais, e serão enviados ônibus para a manifestação nacional a Brasília.
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