Scania demite no ABC e sindicato se cala

Enquanto o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, negocia o pacto social, centenas de demissões estão ocorrendo na categoria e outras centenas são prometidas para os próximos mesesO Ferramenta de Luta, grupo de oposição ao sindicato ligado à Conlutas, denunciou que a montadora Scania pretendia demitir os trabalhadores temporários, tanto os da fábrica, quanto os do Sistema Único de Representação (SUR). A CIPA e a Comissão de Fábrica reuniram os operários para desmentir o Ferramenta distribuído na portaria, chamando-o de “material mentiroso”.

Passados 15 dias desse fato, a Scania demitiu os 170 trabalhadores com contratos temporários, além de impor uma piora das condições de trabalho. Contando com o silêncio do Tribuna Metalúrgica, órgão de imprensa oficial do sindicato,

Dentro da fábrica, no dia seguinte às demissões, o SUR e a empresa reuniram os trabalhadores para falar que era um privilégio para os que ficaram trabalhar na fábrica e que, se não estivessem contentes, poderiam seguir o caminho dos temporários. Isso é um escândalo para um sindicato que se diz de luta.

Ameaças de demissões na Mercedes
Na Mercedes Benz do Brasil, ameaças de demissões pairam sobre mais de mil temporários. Desses, 353 estão em licença remunerada e não sabem se voltam para a fábrica. A data de retorno esta marcada para maio.

Os boatos dentro da fábrica e o silêncio criminoso do sindicato vêm deixando os trabalhadores receosos. No dia em que o IPEA divulgou estudos que dizem que os jovens vão sofrer mais com o desemprego, no ABC, os trabalhadores jovens com empregos temporários estão seriamente ameaçados pela omissão da CUT. Na Volkswagen, o ritmo de trabalho é o vilão dos novatos.

Graças ao acordo assinado pelo sindicato em 2006, tanto em São Bernardo quanto em Taubaté, os temporários da empresa estão sofrendo o assédio moral e físico, bem como o aumento do ritmo de trabalho. Em Taubaté, chegou-se ao cúmulo de, caso o trabalhador fique doente e se afaste do trabalho, no retorno, o mesmo é simplesmente demitido.

Só as montadoras ganham com o governo Lula
Cada vez fica mais evidente o lado que está o governo: ao lado das montadoras. Apenas 12 horas depois da assinatura do acordo do IPI, a Peugeot-Citröen demitiu 250 trabalhadores. Todos os dias, as autopeças, siderúrgicas e montadoras demitem, e o governo estuda ainda mais isenções fiscais para as empresas. Como se não bastasse, diz aos trabalhadores que não é hora de pedir aumento salarial, pois a época é de crise.