A saída para São Paulo não parar

Todo mundo já viu pela TV as cenas dos megas congestionamentos em São Paulo ou, ainda, da população espremida dentro de trens, ônibus e metrôs lotados. O problema do transporte na cidade é hoje um dos principais problemas que afeta a população, sobretudo, os trabalhadores. Desde quem é obrigado a fazer longos deslocamentos a pé por causa do preço elevado da passagem, passando pelos que andam praticamente esmagados nos ônibus, trens e metrô, até os que ficam horas parados nos congestionamentos com seus carros. Só os grandes empresários, que se deslocam de helicóptero, estão livres deste problema crônico. E a capital paulista já tem a maior frota de helicópteros do mundo. Uma dado que indica o quanto nosso país é desigual.

Tarifa cara
Hoje, São Paulo tem uma das tarifas mais caras do mundo. Entre 1995 a 2011, as tarifas subiram 263%%, enquanto a inflação foi de 131%. Hoje, a passagem de ônibus e metrô é de R$ 3,00, mas deveria ser de R$ 1,84. O problema é que, normalmente, um trabalhador é obrigado a pegar mais de duas conduções para ir trabalhar e mais duas para voltar pra casa. Ou seja, o gasto diário com transporte em São Paulo, para muitos trabalhadores, é superior a R$ 12,00. Não por acaso, mais de 34% da população acaba se deslocando a pé, devido ao preço exorbitante do transporte. A passagem é cara porque em São Paulo não existe nenhuma política de subsídio ao transporte público. Mas quem consegue pagar a viagem sofre com a superlotação desses sistemas, e aqueles que utilizam carro não conseguem andar devido aos congestionamentos.

Sem investimentos
A falta de investimento no transporte de alta capacidade, como metrô e trem, é escandalosa. Em 15 anos de governos e administrações do PSDB e seus aliados, foram construídos, em média, 1,2km de ampliação do metrô por ano. Nessa velocidade demoraríamos 120 anos para triplicar a malha, algo que já é necessário para hoje.

Esse caos mostra que o transporte público está longe de ser uma prioridade dos governantes. Por outro lado, só com as obras de Rodoanel e a modernização das marginais foram gastos mais de R$ 25 bilhões, com dinheiro da prefeitura, do governo do estado e do governo federal. Com esse dinheiro seria possível triplicar a malha metroviária, o que teria um impacto muito mais positivo na solução do problema.

Privatização
Como se não bastasse, os governos avançam na privatização do transporte público, entregando o serviço para que empresários obtenham lucros exorbitantes. A privatização tem impacto imediato na tarifa. Com o surgimento da Linha 4 Amarela, que é privada (administrada pelo consórcio CCR), a tarifa do metrô começou a ter aumentos anuais para garantir o lucro dos empresários. Mas não é só isso. Para aumentar ainda mais o lucro da CCR, o metrô de São Paulo diminuiu em 20% o investimento em manutenção. Esse dinheiro será repassado direto para a CCR. Tamanha irresponsabilidade explica o acidente do metrô, ocorrido no dia 16 de maio, que deixou mais de 40 passageiros feridos. Há muito tempo, o Sindicato dos Metroviários alerta sobre as diversas panes e falhas no sistema, que nem sempre são divulgadas pela empresa e pelo governo. Também alerta que houve um grande aumento do número de passageiros, enquanto o número de funcionários não aumentou na mesma proporção.

Há alguma solução?
Para solucionar o problema do transporte na cidade é preciso triplicar a rede de metrô público e estatal da cidade, modernizar a CPTM (trens); expandir os corredores exclusivos de ônibus em 190 km e destinar 2% do PIB para garantir um transporte público estatal e de qualidade (hoje o gasto representa entre 0,4 a 0,6% do PIB).
O custo da execução deste programa seria de R$ 25 bilhões, que devem divididos entre a administração municipal, o governo estadual e federal. A prefeitura vai entregar 10 bilhões de reais para as máfias do transporte em 2011. Isso significa que seria possível fazer toda essa mudança radical no transporte público de São Paulo em quatro anos, caso estatizássemos tudo.

Com a privatização do transporte de ônibus, verdadeiras máfias passaram a controlar o setor. Essas máfias financiam as campanhas eleitorais dos grandes partidos, e depois têm a conivência dos governos.

Com a estatização do transporte, em vez de subsidiar e dar dinheiro público para as empresas e máfias, poderíamos subsidiar as passagens, baixando a tarifa para R$ 1,00 por dia. Dessa forma, o bilhete poderá ser usado em qualquer meio de transporte, quantas vezes for necessário nesse dia.

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