Sempre que chega o final do ano, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul se reúne com uma finalidade específica: encontrar formas de concentrar ainda mais riqueza e capital para as grandes empresas às custas da diminuição de renda e direitos do povo gaúcho. Dessa vez, não foi diferente.

O governador Eduardo Leite (PSDB), depois de atrasar e congelar salários, piorar violentamente as condições de vida dos servidores com a reforma da Previdência e acabar com os planos de carreira dos educadores, conseguiu agora aprovar por mais um ano as altas alíquotas de ICMS! Ou seja: continuidade do confisco da renda dos trabalhadores mais pobres. Nada disso poderia ser surpresa. Afinal, Leite é o mais novo representante da classe dominante em nosso estado e, por isso, tem sido tão odiado pelos trabalhadores. Em 2020, a campanha “Fora Leite” ganhou força entre os educadores e servidores e foi compreendida pelos demais trabalhadores.

Porém, dessa vez houve um fato novo no triste episódio protagonizado pela Assembleia gaúcha: uma colaboração escandalosa onde Leite contou com PT e PSOL, partidos que deveriam lhe fazer oposição e defender a classe trabalhadora! Surpreendendo muitas pessoas, que aliás depositaram sua confiança e seus votos pelo discurso de esquerda que esses partidos fazem, a bancada de oposição fez acordo com Eduardo Leite e garantiu mais um ano de altos e impopulares impostos.

Não se trata de ingenuidade ou engano. Os atuais deputados sabem melhor do que ninguém que, em 2015, Sartori conseguiu jogar boa parte da “crise do Estado” (criada com a sangria das finanças pelas grandes e poderosas empresas) nas costas do povo gaúcho com o mecanismo do ICMS. O aumento das alíquotas sobre energia, combustíveis e telecomunicações, sempre recaiu com mais força sobre quem tem renda mais baixa. Isso tudo é bem conhecido. As empresas e os patrões nunca saíram no prejuízo com aumento de impostos indiretos. Na época, Sartori chegou a elevar de 25% para 30% com a promessa de que os aumentos seriam apenas provisórios.

Agora, chegado o momento do fim da provisoriedade desse aumento, a “esquerda parlamentar” sai em socorro de Eduardo Leite e, contrariando toda a experiência acumulada pelo movimento socialista ao longo de mais de uma centena de anos, vota com o governo burguês de turno. Ou seja, vota para que a riqueza produzida pela classe trabalhadora fique sob controle da burguesia. Que, evidentemente, usará para mais concentração de riqueza. E, ainda mais, fortalece momentaneamente um governo que já deveria ter sido expulso do Palácio Piratini pela classe trabalhadora organizada.

A desculpa para o acordão com o governo Leite veio com a emenda apresentada pelo PT atrelando a prorrogação por mais um ano das alíquotas de ICMS a investimentos na vacinação da população em 2021. Aí se apresentam dois erros graves, o primeiro é transferir para a população pobre e trabalhadora a conta da vacinação, num momento de grave crise sanitária e desemprego crescente, agravado pela redução e corte do auxílio emergencial.

O segundo erro é acreditar que o governo Leite possa de fato se comprometer com um efetivo combate à pandemia. O governador já deixou nítido que para ele pouco vale a saúde dos servidores e da população, reabrindo as escolas e ignorando medidas de restrição social. Eduardo Leite, assim como Bolsonaro, são responsáveis pela situação grave que o Rio Grande do Sul se encontra no mapa da COVID.

É extremamente necessário um plano de vacinação emergencial. Se fosse preciso algum aumento de impostos para garantir uma vacinação imediata, deveria ser em cima dos lucros e das propriedades dos ricos e não dos trabalhadores.

Luciana Genro (PSOL) afirmou que, “com a aprovação do projeto, poderemos seguir cobrando do governo o pagamento em dia dos salários do funcionalismo, (…) os dias de greve, (…)”, etc. Seguir cobrando? Então, a classe trabalhadora deve seguir pagando mais impostos para que os deputados possam seguir cobrando? Ainda acreditam em palavras e promessas desse governo?

Infelizmente, essa é a expressão mais categórica da conhecida política de colaboração de classes que o PT implementou, governando o país a serviço das grandes empresas. O PSOL apenas repete seus passos. Este ano, já havia tido um acordo de lideranças do PT (no caso, dirigentes do CPERS Sindicato) com o governo burguês de Leite. Um acordo que custou a perda do plano de carreira e muitos prejuízos aos educadores. Agora, em pleno final de ano, um novo acordo irá seguir prejudicando a todo o povo pobre do Rio Grande do Sul.

Basta de vacilação e colaboração com quem só ataca e retira direitos dos trabalhadores! É preciso organizar uma luta independente contra os ataques do governo Leite. É hora de construir uma alternativa independente para a classe trabalhadora no Rio Grande do Sul.
Fora Leite e seus pacotes que atacam os direitos do povo gaúcho!